A entrega de mais três caças furtivos F-35 ao Reino Unido encerra a Fase Inicial de Aquisição do programa britânico e pressiona Londres a definir o ritmo da próxima etapa de incorporação. O marco ocorre em meio a debates sobre o futuro da frota, a modernização da Marinha Britânica (Royal Navy) e da Força Aérea Britânica (RAF), e a controvérsia provocada por documentos filtrados nos Estados Unidos que mencionavam uma possível revisão do apoio norte-americano à posição britânica sobre as Malvinas.
A Lockheed Martin confirmou a entrega das aeronaves de número 46, 47 e 48, que chegaram à RAF Marham, principal base de operação dos F-35 britânicos. Os exemplares integram o núcleo de uma frota planejada de até 138 unidades, considerada essencial para sustentar as operações aéreas embarcadas nos porta-aviões da classe Queen Elizabeth e para ampliar a capacidade de combate da RAF.
Os novos caças também reforçam a dimensão industrial do programa. Segundo a fabricante, cada aeronave incorpora componentes produzidos no Reino Unido, em uma cadeia que sustenta cerca de 20.000 empregos qualificados. A Lockheed Martin estima ainda que a participação britânica no programa F-35 poderá gerar até 45,2 bilhões de libras para a economia do país ao longo do ciclo global da aeronave.
Com a conclusão do primeiro lote, o ponto central passa a ser o cronograma dos F-35 restantes. Analistas britânicos indicam que o Ministério da Defesa precisará esclarecer como pretende avançar rumo à frota de 138 aeronaves, especialmente diante dos atrasos do padrão Block 4, atualização considerada necessária para a integração de novos armamentos e para a expansão das capacidades de missão da plataforma.
Em resposta parlamentar anterior, o governo britânico indicou que esperava receber o 75º F-35 até o fim de 2033. Ainda assim, Londres não publicou o novo Plano de Investimento em Defesa, documento que deverá confirmar prioridades, volumes de aquisição e distribuição entre variantes. A definição é relevante porque o Reino Unido opera majoritariamente o F-35B, versão de decolagem curta e pouso vertical empregada a bordo dos porta-aviões.

Outro eixo do programa envolve a futura incorporação de 12 F-35A, variante convencional destinada a ampliar as opções da RAF. Essas aeronaves deverão permitir a participação britânica na missão de dissuasão nuclear da NATO, com capacidade para empregar bombas B61 norte-americanas sob o arranjo de dupla capacidade da Aliança. O Ministério da Defesa britânico já indicou que essa medida não altera a dissuasão nuclear independente do Reino Unido, baseada exclusivamente nos submarinos da Royal Navy armados com mísseis balísticos.
A decisão, contudo, dependerá de fatores políticos e estratégicos mais amplos. O eventual emprego nuclear dos F-35A britânicos exigiria infraestrutura, certificação e coordenação direta com os Estados Unidos, que mantêm o controle e a custódia das armas nucleares táticas no modelo da NATO. Em um cenário de atritos entre Washington e aliados europeus, o programa F-35 britânico passa a combinar modernização aérea, interoperabilidade aliada e incertezas sobre o equilíbrio futuro da dissuasão ocidental.
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