Sendo um dos pontos mais relevantes na hora de levar adiante a modernização de uma frota de combate, a Força Aérea do Peru avançará na compra de uma aeronave reabastecedora KC-135 Stratotanker, com o objetivo de garantir a compatibilidade operacional e ampliar o alcance de seus futuros 24 caças Lockheed Martin F-16V. Essa decisão responde à necessidade de incorporar um sistema integral que permita explorar plenamente as capacidades do novo caça adquirido.

Boeing KC-135. Créditos: Master Sgt. Bryan Hoover

Nesse sentido, recentes declarações do ex-Comandante-Geral da FAP, Enrique Chávez Cateriano, trouxeram precisões-chave sobre o processo. O ex-chefe da instituição assinalou que “é verdade que o sistema de reabastecimento em voo do F-16 é diferente, e nós não mudamos esse requisito… a aeronave vem com o sistema de reabastecimento em voo, a aeronave tanque é de outra tecnologia e a Lockheed Martin inclui um tanqueiro de segunda mão revisado (overhauleado)”. Dessa forma, confirma-se que a incorporação do KC-135 faz parte de uma solução integral associada à compra dos caças.

A futura dupla F-16V e KC-135 permitirá à FAP adotar o sistema de reabastecimento em voo por meio de lança (boom), o qual é utilizado pelos caças de origem norte-americana. Diferentemente do sistema de sonda e cesta (atualmente empregado pelos Mirage 2000P/DP e MiG-29 peruanos), a lança oferece vantagens significativas em termos operacionais, especialmente no que se refere à eficiência e rapidez do processo.

Entre seus principais benefícios, esse sistema permite alcançar maiores taxas de transferência de combustível, chegando a aproximadamente 3.800 litros por minuto no KC-135, graças ao maior diâmetro de seu duto. Isso reduz consideravelmente o tempo necessário para completar as operações de reabastecimento, otimizando missões de longo alcance e melhorando a disponibilidade em combate. Além disso, o método de lança elimina a necessidade de que o piloto da aeronave receptora realize manobras de alta precisão para se acoplar a uma cesta, o que é especialmente complexo para aeronaves de grande porte.

Boeing KC-135 ao lado de um F-16 durante manobras de reabastecimento em voo.

A decisão de avançar na aquisição do KC-135 se insere em um processo mais amplo, recentemente confirmado, vinculado à compra dos F-16V Block 70. Após uma série de complicações, que incluíram mudanças significativas no gabinete, o governo peruano oficializou a assinatura do contrato com a Lockheed Martin em 20 de abril de 2026, juntamente com o pagamento inicial de US$ 462 milhões. A operação, originalmente prevista para 12 aeronaves, teria sido ampliada para 24 unidades, em linha com os requisitos da FAP para substituir suas atuais frotas de Mirage 2000 e MiG-29, consolidando assim um salto qualitativo em suas capacidades aéreas.

*Imagens utilizadas em caráter ilustrativo. Créditos: Departamento de Defesa dos EUA.

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Mariano Germán Videla Solá
Mariano Germán Videla Solá. Correspondente e redator da Zona Militar. Coordenador do Observatório de Capacidades Militares Sul-Americanas 2025.

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