A presença dos F-16 Block 70 do Viper Demo Team em Lima ocorreu em um momento decisivo para a modernização da Força Aérea do Peru. Mais do que uma demonstração aérea, a atividade funcionou como sinal político e operacional do estreitamento da relação de defesa entre Lima e Washington, após um processo de seleção marcado por disputas, adiamentos e ruídos diplomáticos.

F-16 - Viper Demo Team em Lima
F-16 – Viper Demo Team em Lima

As aeronaves da USAF foram deslocadas para a Base Aérea de Las Palmas, em Santiago de Surco, como parte do calendário internacional de apresentações do Viper Demo Team. Segundo a Força Aérea dos Estados Unidos, a equipe realizará 20 demonstrações em diferentes destinos nos EUA e no exterior, com foco na exibição das capacidades de manobra, desempenho e emprego do F-16 em sua configuração mais recente.

O evento ocorreu poucos dias depois de o Peru consolidar sua entrada no grupo de operadores do F-16. Com a decisão, o país passa a ser o 29º usuário mundial da aeronave e o quarto na América do Sul a adotar o caça norte-americano, ao lado de Chile, Argentina e Venezuela. A escolha encerrou uma disputa na qual também participaram o Gripen, da Saab, e o Rafale, da Dassault Aviation.

No plano regional, a aquisição coloca a Força Aérea do Peru no patamar mais avançado disponível para países sul-americanos que optam por material de origem norte-americana. O Chile opera F-16 Block 50, a Argentina contratou F-16AM/BM ex-Real Força Aérea Dinamarquesa, enquanto a Venezuela mantém células incorporadas ainda na década de 1980. O F-16 Block 70 representa, nesse contexto, um salto relevante em sensores, aviônica e integração de armamentos.

O governo peruano e a Embaixada dos Estados Unidos confirmaram o primeiro pagamento, superior a US$ 462 milhões, abrindo caminho para a execução do contrato. A etapa ocorreu após uma sequência incomum de comunicações contraditórias em Lima, que gerou desconforto entre concorrentes e também em Washington. A mensagem norte-americana foi dura ao indicar que os EUA souberam pelo rádio nacional do adiamento da assinatura e que uma assinatura técnica havia ocorrido em 20 de abril de 2026, com conhecimento dos níveis superiores do governo peruano.

F-16 - Viper Demo Team em Lima
F-16 – Viper Demo Team em Lima

Além dos caças, a Força Aérea do Peru deverá avançar na incorporação de ao menos um avião reabastecedor KC-135 Stratotanker. A medida é central para explorar plenamente o alcance e a permanência dos F-16 Block 70, já que a frota peruana atual utiliza sistema de sonda e cesto em plataformas como MiG-29 e Mirage 2000P/DP, enquanto o caça norte-americano requer reabastecimento por lança.

A aquisição, portanto, não se limita à substituição de aeronaves de combate. Ela exige adaptação doutrinária, infraestrutura, treinamento, cadeia logística e interoperabilidade com sistemas norte-americanos. Para Lima, o desafio será transformar a compra dos F-16 Block 70 em capacidade operacional sustentada, evitando que o salto tecnológico seja limitado por restrições orçamentárias ou por atrasos na incorporação dos meios de apoio.

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