A incorporação da Embarcação de Desembarque Litorâneo (EDLit) pelo Corpo de Fuzileiros Navais representa um avanço relevante na capacidade de projeção de poder da Marinha do Brasil, especialmente no ambiente litorâneo e ribeirinho. Ainda sem designação oficial de classe, o meio já se destaca como um vetor versátil, pensado para operar com eficiência em múltiplos cenários, do litoral aberto a rios, estuários e baías.

Com 10,5 metros de comprimento, deslocando entre 5 e 7,5 toneladas e apresentando calado de apenas 1,15 metro, a EDLit foi concebida para atuar em áreas de difícil acesso, incluindo regiões assoreadas e margens restritas. Essa característica amplia significativamente o espectro de emprego da força, permitindo a exploração de pontos não convencionais de inserção.

A propulsão, baseada em dois motores de 300 HP, garante velocidades de até 42 nós, mantendo desempenho mesmo sob carga. A combinação entre baixo calado, alta velocidade e elevada manobrabilidade torna a embarcação apta a executar infiltrações rápidas, interceptações e reposicionamentos táticos em curto espaço de tempo.

No campo da sobrevivência, a EDLit incorpora blindagem nível 3 Plus, com proteção contra calibres como 7.62 mm e 5.56 mm, incluindo o posto de pilotagem. Esse nível de proteção permite a continuidade da missão mesmo sob fogo direto, fator crítico em operações em ambientes assimétricos e de alta proximidade.

A capacidade de transporte é de até 15 militares, sendo três tripulantes e doze combatentes equipados, com layout que permite emprego imediato da tropa após o desembarque. O armamento orgânico, com metralhadora .50 na proa e duas 7.62 mm na popa, garante cobertura de fogo durante toda a manobra.

Além disso, a embarcação incorpora sensores e sistemas que ampliam a consciência situacional, incluindo câmera térmica (FLIR), radar de superfície e sonar, integrados a sistemas de navegação digital e comunicações militares. Na prática, cada EDLit atua como um vetor de combate e também como um nó de informação dentro do dispositivo operacional.

Do ponto de vista doutrinário, o meio se encaixa na lógica de operações anfíbias modernas, baseadas em dispersão, múltiplos eixos de inserção e elevada mobilidade. A possibilidade de operar com a mesma eficiência no litoral, em rios e em áreas estuarinas reduz a previsibilidade da força e amplia as opções táticas disponíveis ao comando.

Nesse contexto, a EDLit consolida-se como um multiplicador de presença na “Amazônia Azul”. Ao reunir mobilidade, proteção e capacidade de atuação em diferentes ambientes, o meio reforça a capacidade do Corpo de Fuzileiros Navais de atuar de forma contínua entre o mar e o interior, um requisito cada vez mais relevante no cenário estratégico atual.

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