Como parte dos esforços realizados para repatriar os restos mortais de soldados mortos na Guerra da Coreia entre os anos de 1950 e 1953, a China desdobrou pela primeira vez seu mais avançado avião de transporte Y-20B para a Coreia do Sul, assumindo assim o lugar anteriormente ocupado pelo modelo Y-20A utilizado nessa tarefa. A aeronave regressou ao seu país no decorrer do dia de ontem, sendo escoltada por um esquadrão de quatro caças furtivos J-20 da Força Aérea do Exército de Libertação Popular, transportando em seu interior os restos mortais de 12 combatentes chineses, também chamados de mártires nos meios locais.

Ampliando em detalhes, a missão realizada pelo Y-20B constituiu a décima terceira que a China envia à península coreana para repatriar restos de soldados mortos, tendo início no último dia 20 de abril, após a decolagem da aeronave de um aeroporto não especificado situado no centro do país. Uma vez em território sul-coreano, a aeronave permaneceu no Aeroporto Internacional de Incheon para completar sua tarefa, enquanto, ao partir, sua trajetória foi acompanhada até o Aeroporto Internacional de Taoxian, local onde recebeu uma saudação com canhões d’água.

Particularmente, Pequim concebeu um emblema especial para a missão recentemente concluída, o qual era composto por diversas partes, a saber: uma formação de aeronaves liderada pelo próprio Y-20B e complementada pelos mencionados caças furtivos J-20, uma representação dos soldados voluntários enviados à Guerra da Coreia, uma insígnia própria do Exército Popular de Voluntários, pombas brancas da paz e inscrições com os dizeres “Heróis 1950” e “Retorno ao lar 2026”.

Para além da missão recentemente concluída, é importante recordar que a China vem enviando aeronaves anualmente para a Coreia do Sul desde 2015 para repatriar restos mortais, com dados que indicam que até 1.023 soldados mortos já foram recuperados em coordenação com Seul. Desde 2020, os voos passaram a ser realizados pelos aviões de transporte Y-20A anteriormente mencionados, o que por si só constituiu um marco para o país por se tratar de uma plataforma de fabricação local.

Seguindo essa linha, cabe recordar que o Y-20B foi apresentado publicamente pela primeira vez no ano passado, mais especificamente durante as celebrações do 80º Aniversário da Vitória realizadas na China. Naquela ocasião, tendo como cenário o imponente desfile militar preparado para o evento, pôde-se observar uma formação de três aeronaves desse modelo sobrevoando as ruas já plenamente equipadas com motores produzidos por empresas locais, às quais também se somaram outros três aviões da variante original Y-20A.

Passando brevemente em revista as características que diferenciam ambas as variantes, a questão dos motores constitui um ponto central, considerando que o modelo Y-20B substitui os motores russos D-30KP-2 e os WS-18 chineses presentes no modelo Y-20A pelos novos motores turbofan WS-20, de maiores prestações e menores dimensões. De fato, segundo descrevem os meios paraestatais do Gigante Asiático, esse primeiro voo ao exterior serviu como oportunidade para validar de forma definitiva as capacidades da plataforma propulsionada por esses sistemas. Caso isso se confirme, facilitará que a Força Aérea do Exército de Libertação Popular da China acelere o desdobramento dessas aeronaves em maior escala.

Somada à questão dos motores, cabe considerar também que os novos Y-20B integram um novo sistema de alimentação elétrica e de controle hidráulico, o que por sua vez se complementa com melhorias no que se refere aos sistemas de navegação e de comunicações. De acordo com o que é descrito por fontes locais, essa série de avanços lhes permite operar em missões de transporte aéreo estratégico em regiões do território chinês de elevada complexidade por suas condições geográficas, muitas delas afastadas dos principais centros onde se concentra a população do país.

Por fim, e embora não tenham sido fornecidas maiores precisões a esse respeito, é útil destacar que os analistas chineses já começaram a levantar a possibilidade de que o projeto sirva como base para o futuro desenvolvimento de novas variantes. Entre as possibilidades mencionadas, encontra-se uma possível variante de reabastecimento, outra para o transporte de paraquedistas e uma de alerta aéreo antecipado, a qual faria referência aos modelos KJ-3000.

Créditos das imagens a quem corresponda

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