Ao mesmo tempo em que foi confirmada a compra de novos sistemas IRIS-T para reforçar suas capacidades de defesa aérea, a Ucrânia também acordou coproduzir com a Alemanha sete novos tipos de drones de combate com o objetivo de equipar suas Forças Armadas, tratando-se de equipamentos fabricados por empresas ucranianas e alemãs. Segundo informou Kiev por meio de canais oficiais, seis desses novos projetos corresponderiam a plataformas aéreas, enquanto o restante seria um modelo de apoio para as tropas em terra.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky examina um drone ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky examina um drone ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz

Aprofundando em detalhes, podemos mencionar que um dos projetos incluídos nesse grupo de sete seria o denominado Linsa 3.0, que foi desenvolvido em conjunto pelas empresas Frontline Robotics e Quantum Systems. Trata-se de um sistema definido por seus fabricantes como um drone logístico multifuncional, com capacidade para transportar até 4 quilogramas de carga a distâncias de até 15 quilômetros, apresentando uma autonomia de voo de cerca de 60 minutos; de acordo com o governo da Ucrânia, mais de 10.000 exemplares serão produzidos durante o ano em curso. Outro dos modelos contemplados no pacote é o FPV KOLIBRI, um projeto capaz de atuar em missões de ataque e também como interceptor.

Além disso, as Forças Armadas da Ucrânia poderão incorporar os novos interceptores STRILA para contribuir para o abatimento de ameaças aéreas russas, tratando-se de sistemas com velocidade máxima de 415 quilômetros por hora e especialmente projetados para neutralizar alvos de alta manobrabilidade. Somado a essa lista, aparecem também os novos drones Babka, que seriam integrados às fileiras ucranianas para reforçar suas capacidades de reconhecimento do campo de batalha.

Um drone de reconhecimento Babka
Um drone de reconhecimento Babka

Por outro lado, o país verá reforçadas suas capacidades de ataque com a chegada de novos drones do tipo Seth-X e Anubis. No primeiro caso, falamos de um ativo pensado para neutralizar alvos a curtas distâncias, especificamente unidades de infantaria, veículos blindados leves e veículos de apoio logístico. Já os segundos configuram-se como um sistema de alcance médio que, além dos alvos anteriormente mencionados, também seria útil contra instalações e blindados de maior porte. Por fim, o modelo terrestre selecionado pela Ucrânia seria o TerMit, cujas qualidades todo-terreno facilitam sua participação em missões de evacuação e apoio logístico com alcance de 40 quilômetros.

Para além dos sete sistemas recém-listados, também é útil destacar que sua produção implicará um importante grau de associação entre empresas alemãs e ucranianas, havendo já mais de seis acordos de cooperação assinados como parte da iniciativa “Construir com a Ucrânia”. Passando brevemente em revista algumas dessas companhias associadas, podemos destacar o caso da alemã Diehl Defence com as ucranianas FirePoint e Luch, que acordaram ampliar a cooperação tecnológica, assim como o memorando de entendimento alcançado por TAF Industries e Thyra com foco na fabricação de interceptores, entre outros exemplos.

Um drone terrestre TerMit equipado com um lançador de granadas
Um drone terrestre TerMit equipado com um lançador de granadas

A passagem de Zelensky pelo território alemão

Cabe mencionar, neste ponto, que todos esses fatos ocorreram em paralelo a uma visita oficial do presidente Volodymyr Zelensky ao território alemão, onde ele pôde se reunir com o chanceler Friedrich Merz para conhecer em primeira mão esses novos drones em uma exibição estática e discutir outros temas vinculados à parceria de longo prazo. Segundo os relatos de meios de comunicação alemães, um dos assuntos abordados foi o crescente número de homens ucranianos que fogem para a Alemanha para evitar a conscrição, o que enfraquece as fileiras das Forças Armadas ucranianas e gera maiores gastos sociais para seu aliado.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ao chegar à Alemanha
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ao chegar à Alemanha

Além disso, registra-se que ambos os países renovaram acordos relativos à reconstrução da Ucrânia uma vez que a guerra termine, assim como também buscaram dar novas demonstrações do apoio alemão à tentativa ucraniana de adesão à União Europeia. No entendimento do chanceler Merz, isso seria um “passo estrategicamente importante para uma maior segurança e prosperidade na Europa”, embora tenha reduzido as expectativas de uma adesão em um futuro próximo. Outros assuntos que foram tema de conversa encontram-se, por exemplo, nos planos de ampliar a cooperação em matéria energética, enquanto desde a presidência ucraniana também se reiterou o pedido de mais recursos para aumentar a produção de armas, afirmando inclusive que seu país poderia duplicar os níveis atuais caso conte com maior apoio de seus parceiros.

A busca por mais apoios na Europa

Além de sua visita oficial à Alemanha, o presidente ucraniano e sua comitiva realizaram um percurso mais amplo que os levou a diferentes capitais europeias em busca de mais apoio para o país, que combate a invasão russa desde 2022. Assim como no encontro com o chanceler Merz, Zelensky dirigiu seus esforços para alcançar acordos de cooperação centrados na produção de sistemas não tripulados e no reforço das capacidades de defesa aérea, dois fatores-chave no desenvolvimento do conflito.

A chegada do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky à Noruega
A chegada do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky à Noruega

Repassando algumas dessas visitas, cabe mencionar que o mandatário ucraniano passou pela Noruega para se reunir com seus homólogos daquele país, ocasião em que foi destacada a intenção de avançar em uma parceria estratégica mais ampla em matéria de defesa e o compromisso de Oslo com a iniciativa PURL. Em particular, Zelensky afirmou ali que seu país poderia oferecer apoio para a reconfiguração das redes de defesa aérea europeias, graças ao fato de que suas tropas contam com ampla experiência no combate moderno e em desenvolvimentos tecnológicos especialmente voltados para o combate contra drones.

A comitiva ucraniana também passou pela Itália, onde a ocasião foi aproveitada para se reunir com o ministro da Defesa, Guido Crosetto, com o objetivo de explorar novas oportunidades de cooperação entre ambos os países e a continuidade do apoio financeiro fornecido por Roma. Ali, o mandatário ucraniano destacou que seu país estava pronto para trabalhar em acordos tanto em nível bilateral quanto multilateral, destacando-se entre eles o marco que será proporcionado pelo instrumento conhecido como SAFE. Pouco depois, Zelensky passou pelos Países Baixos, onde também foi acordado avançar na produção conjunta de drones, mísseis e sistemas de guerra eletrônica.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro holandês Rob Jetten
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro holandês Rob Jetten

Por fim, cabe destacar que, a partir do Reino Unido, também foi divulgada uma notícia importante para a Ucrânia em matéria de Defesa, tratando-se nada menos do que do envio do que seria o maior pacote de drones delineado desde o começo da guerra. Como reportou o Escenario Mundial em 15 de abril passado, isso incluiria mais de 120.000 sistemas não tripulados de vigilância, ataque e logística, os quais se somariam às mais de 85.000 unidades entregues durante os últimos seis meses, que foram adquiridas em troca de cerca de 600 milhões de libras.

Imagens utilizadas a título ilustrativo

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Joel Luchetta
Joel Francisco Luchetta - Redator na Zona Militar - Escrevo sobre diversos temas de defesa, com especial interesse nos assuntos relacionados com a Europa.

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