Em um dos mais recentes incidentes nas águas do Golfo Pérsico, o contratorpedeiro USS Spruance da Marinha dos EUA impediu com fogo de canhão que o navio mercante M/V Touska rompesse o bloqueio marítimo que Washington mantém sobre os portos do Irã. O incidente, divulgado ontem pelo Comando Central norte-americano, terminou com a captura do navio por uma equipe de Marines.

O navio porta-contêineres M/V Touska visto a partir do USS Spruance.
O navio porta-contêineres M/V Touska visto a partir do USS Spruance. Foto: CENTCOM

De acordo com o detalhado pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM), o contratorpedeiro da classe Arleigh Burke USS Spruance DDG 111 interceptou o navio porta-contêineres M/V Touska “enquanto navegava pelo norte do Mar Arábico, a 17 nós, com destino a Bandar Abbas, Irã. As forças norte-americanas emitiram múltiplos avisos e informaram ao navio iraniano que estava violando o bloqueio dos Estados Unidos…”.

O incidente se estendeu por seis horas, período durante o qual o contratorpedeiro USS Spruance emitiu reiterados avisos ao mercante de bandeira iraniana. Esgotada essa instância, a partir do destróier da Marinha dos EUA foi ordenado à tripulação do M/V Touska que evacuasse a sala de máquinas. “O Spruance inutilizou a propulsão do Touska disparando vários projéteis com seu canhão MK 45 de 5 polegadas contra a sala de máquinas…”.

No vídeo divulgado pelo CENTCOM, observa-se como o USS Spruance realizou ao menos três disparos com seu canhão principal contra o mercante iraniano. No entanto, na sequência não foi possível observar as consequências dos impactos, que teriam obrigado o porta-contêineres a interromper sua marcha. Posteriormente, efetivos da 31ª Unidade Expedicionária de Marines abordaram o navio, que permanece sob custódia norte-americana, segundo o informado pelo Comando Central.

As ações da Marinha dos EUA ocorreram depois de que, nos últimos dias, vários incidentes foram registrados nas águas do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã, confrontos nos quais as Forças Armadas do Irã atacaram diversos navios mercantes em trânsito pelo Estreito de Ormuz.

Canhão MK 45 de 127 mm, semelhante ao do USS Spruance, abrindo fogo durante um exercício de Treinamento Tático Avançado de Guerra de Superfície (SWATT).
Canhão MK 45 de 127 mm, semelhante ao do USS Spruance, abrindo fogo durante um exercício de Treinamento Tático Avançado de Guerra de Superfície (SWATT). Foto: USN – MCS 3ª Classe Bryan Valek

Bloqueio marítimo em vigor

O fogo de canhão a partir de um navio da Marinha dos EUA é uma clara demonstração de Washington no sentido de manter em vigor seu bloqueio marítimo contra os portos do Irã no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. A decisão de manter essa postura continua após avanços e recuos em relação à liberação do trânsito naval no Estreito de Ormuz, medida que inicialmente teria sido acordada após as últimas negociações entre Irã e Estados Unidos.

Para o CENTCOM, “as forças norte-americanas agiram de maneira deliberada, profissional e proporcional para garantir o cumprimento do bloqueio…”. O recente encontro entre o destróier USS Spruance e o M/V Touska, que terminou com fogo de canhão e captura, foi a primeira vez em que as Forças Armadas dos EUA precisaram recorrer ao uso de armas para fazer cumprir o bloqueio.

Desde que Washington anunciou essa medida contra o Irã, as forças norte-americanas ordenaram a 25 navios mercantes “que dessem meia-volta ou retornassem a um porto iraniano…”, acrescentou o CENTCOM em seu comunicado.

O Spruance durante sua participação no RIMPAC 2022. Na proa, é possível ver seu canhão MK 45 de 127 mm
O Spruance durante sua participação no RIMPAC 2022. Na proa, é possível ver seu canhão MK 45 de 127 mm. Foto: USN – MCS 3ª Classe Aleksandr Freutel

Por sua vez, o USS Spruance faz parte do Grupo de Ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln CVN-72. O destróier é um dos mais de 10 navios da classe Arleigh Burke que se encontram desdobrados na área de responsabilidade do Comando Central, unidades que operam de maneira independente ou que compõem a escolta dos porta-aviões.

Imagem de capa ilustrativa. Créditos: US Navy – Mass Communication Specialist 3rd Class Kassandra Alanis

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