O governo peruano deu mais um passo rumo à modernização da aviação de combate da Força Aérea Peruana (FAP), autorizando a primeira liberação de verbas destinadas à aquisição de novos caças multifuncionais. O processo ainda não definiu se as aeronaves serão o Lockheed Martin F-16 Block 70, o Saab Gripen E ou o Dassault Rafale. Por meio da Resolução Ministerial nº 00167-2026-DE, publicada em 17 de fevereiro, o Poder Executivo aprovou a alocação de S/ 1,137 bilhão (aproximadamente US$ 300 milhões) como parte da primeira transferência de recursos para o projeto de recuperação da capacidade de controle aeroespacial do país.

De acordo com o Decreto Supremo nº 020-2026-EF, os recursos foram incorporados ao orçamento do Ministério da Defesa para financiar parcialmente o projeto de investimento CUI nº 2573425, intitulado “Recuperação das Capacidades de Controle Aeroespacial e Precisão em Operações Militares com Aeronaves de Combate de Alto Desempenho do Grupo Aéreo nº 4″, sediado em La Joya, Arequipa. Essa medida representa um passo administrativo fundamental que marca formalmente o início do processo de substituição das aeronaves Mirage 2000 e MiG-29, que serviram por décadas na Força Aérea Peruana.
O decreto, sancionado pelo Presidente José Enrique Jerí Oré, pelo Ministro da Defesa César Francisco Díaz Peche e pela Ministra da Economia e Finanças Denisse Miralles, estipula que os recursos não podem ser utilizados para fins diversos dos especificados no decreto. Contudo, a publicação coincidiu com uma inesperada mudança política, quando o Congresso peruano aprovou uma moção de censura contra Jerí Oré, levando José María Balcázar a assumir a presidência interina. Essa mudança na liderança introduziu incerteza em um processo que já enfrentava tensões internas e pressões externas em relação à definição do novo sistema de armas.

No âmbito técnico e diplomático, a competição entre os três concorrentes permanece em aberto. Embora relatos recentes apontem o F-16 Block 70 como favorito, fontes oficiais e analistas afirmam que o Gripen E ainda é um forte concorrente. O modelo sueco continua atraente devido à proposta de transferência de tecnologia, cooperação com a indústria nacional e benefícios potenciais em setores como educação e desenvolvimento tecnológico — aspectos que a Saab enfatizou em suas apresentações ao governo peruano.
Enquanto isso, a Lockheed Martin intensificou sua presença na competição, destacando as vantagens de fortalecer os laços estratégicos com os EUA por meio da aquisição do F-16 Block 70, uma aeronave com eficácia comprovada e ampla interoperabilidade dentro das alianças ocidentais. Contudo, observa-se que o custo final dessa opção pode ultrapassar o orçamento projetado, estimado em US$ 3,5 bilhões para a compra de 24 aeronaves, valor que, no caso do modelo americano, seria ligeiramente superior à proposta sueca.

Em meio à competição técnica e às implicações geopolíticas, o projeto emerge como uma das decisões mais significativas para o futuro da Força Aérea Peruana. A autorização do financiamento inicial ainda não constitui uma escolha definitiva, mas confirma a determinação do Estado em recuperar suas capacidades de defesa aérea.
*Imagens utilizadas para fins ilustrativos.
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