A conclusão do Exercício ACRUX XII no Mato Grosso do Sul reforçou a centralidade da Hidrovia Paraguai-Paraná para a cooperação naval sul-americana. Durante uma semana, mais de 700 militares e 18 meios navais das marinhas de Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia operaram em um ambiente fluvial complexo, sob coordenação da Marinha do Brasil.

As atividades ocorreram a partir de Ladário, principal eixo de apoio naval brasileiro na região, e envolveram navios, embarcações menores, aeronaves e elementos de Fuzileiros Navais. O exercício foi estruturado em torno de uma missão hipotética das Nações Unidas, permitindo testar procedimentos combinados em controle de tráfego fluvial, patrulha, defesa de área e operações sob ameaça.
Entre 20 e 25 de abril, a Força-Tarefa Fluvial executou manobras em setores estratégicos do rio Paraguai. O componente reuniu lanchas-patrulha, navios logísticos e meios de transporte de tropas, com destaque para a participação da Armada Argentina por meio do navio multipropósito ARA Ciudad de Rosario (Q-62) e das lanchas-patrulha ARA Punta Mogotes (P-65) e ARA Río Santiago (P-66).

As unidades também realizaram formações combinadas, navegação em condições de risco, defesa contra incursões subaquáticas e proteção de áreas de fundeio com postos de observação noturnos. Esse tipo de adestramento é relevante para marinhas que operam em rios extensos, com margens densas, baixa profundidade relativa, tráfego civil intenso e necessidade de coordenação permanente entre meios navais e forças em terra.
A Força-Tarefa Ribeirinha, composta por elementos de Fuzileiros Navais, conduziu uma ação de projeção sobre a ilha Tira Catinga. Após o desembarque, as tropas executaram infiltração, segurança de objetivos críticos, extração em ambiente hostil e retraimento tático, consolidando o emprego integrado entre meios fluviais e infantaria embarcada.

O encerramento do ACRUX XII, com o retorno das unidades ao Complexo Naval de Ladário e a avaliação dos resultados, confirmou o valor do exercício como instrumento de interoperabilidade regional. Para Brasil e países vizinhos, a manutenção de presença naval coordenada na Hidrovia Paraguai-Paraná segue diretamente ligada à segurança de rotas logísticas, proteção de áreas fronteiriças e capacidade de resposta em cenários de crise no interior do continente.
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