Em um contexto marcado pelo debate sobre as operações de modernização da aviação de combate lusa, baseado na necessária substituição dos F-16 da Força Aérea Portuguesa, os Estados Unidos deram a entender que o país continuará promovendo e apoiando o caça furtivo F-35 como sua principal proposta. Assim se depreende das declarações do embaixador norte-americano em Lisboa, que instou a avançar rumo à incorporação do caça de quinta geração fabricado pela Lockheed Martin, assinalando que sua adoção garantiria interoperabilidade com as principais forças aéreas europeias.

F-35A
A U.S. Air Force F-35 Lightning II from Hill Air Force Base, Utah, flies alongside a 100th Air Refueling Wing KC-135 Stratotanker during a training flight May 2, 2017. The F-35s are participating in their first-ever flying training deployment to Europe. (U.S. Air Force photo by Senior Airman Christine Groening)

O embaixador dos EUA em Portugal, John Arrigo, declarou à CNN Portugal que o F-35 permitiria à Força Aérea Portuguesa integrar-se plenamente aos padrões operacionais mais avançados da União Europeia. “O F-35 é o melhor caça; é um caça furtivo de quinta geração, levará vocês à Liga dos Campeões quando se trata da UE”, afirmou Arrigo. Além disso, indicou que mais de 900 unidades do modelo se encontram em serviço ou sob encomenda na Europa e sustentou que, em termos de interoperabilidade, “o F-35 é definitivamente o caminho a seguir”, destacando ainda que 25% da aeronave é fabricada com componentes europeus.

As declarações ocorrem enquanto Portugal ainda não iniciou formalmente o processo de seleção para substituir seus atuais F-16M Fighting Falcon. Em novembro, o ministro da Defesa português, Nuno Melo, confirmou que o procedimento ainda não havia começado, mantendo em aberto a definição política sobre o futuro sistema de combate. Em paralelo, Arrigo assinalou que buscará apoiar-se em sua experiência empresarial para colaborar com Lisboa no aumento do gasto em defesa até 5% do produto interno bruto até 2035, em linha com os objetivos estabelecidos no âmbito da OTAN.

F-16 Portugal

Do âmbito militar, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, general Cartaxo Alves, explicou no final de 2025 que a instituição já identificou o F-35 como a solução militar mais adequada para substituir os F-16, embora tenha sublinhado que a decisão final corresponde ao poder político. “Cabe à Força Aérea determinar qual é a melhor solução militar para uma capacidade determinada. Naturalmente, cabe então ao poder político tomar a decisão final, ponderando vantagens, desvantagens e riscos, e decidindo se segue ou não esse caminho (…) Estamos plenamente conscientes da postura firme adotada pela maioria dos países. Mas também devemos considerar fatores como os prazos de entrega, tanto para aeronaves de quinta quanto de sexta geração. Essas opções não são incompatíveis. Se Portugal agir corretamente, poderíamos ter aeronaves de quinta geração e, posteriormente, de sexta geração entrando em serviço dentro desse prazo”, sustentou o oficial.

Atualmente, a espinha dorsal da aviação de combate portuguesa é composta por aproximadamente 27 F-16A/B Block 15 MLU incorporados desde meados da década de 1990 por meio dos programas Peace Atlantis I e II. Essas aeronaves, que superam os 30 anos de serviço, operam nos esquadrões 201 “Falcões” e 301 “Jaguares”, cumprindo missões de defesa do espaço aéreo nacional e desdobramentos no âmbito das operações de Polícia Aérea da OTAN no Leste Europeu. Nesse cenário, diferentes fabricantes manifestaram interesse na futura substituição, incluindo a Airbus Defence and Space, que promove o Eurofighter Typhoon como alternativa.

Em paralelo ao debate sobre o F-35, Portugal anunciou sua participação como observador em um dos dois programas europeus de desenvolvimento de caças de sexta geração. O ministro da Defesa, João Nuno Lacerda Teixeira de Melo, afirmou que essa condição não implicará custos para o país e permitirá acessar antecipadamente avanços técnicos e doutrinários. Atualmente, a Europa impulsiona o Future Combat Air System (FCAS), liderado por França, Alemanha e Espanha, e o Global Combat Air Programme (GCAP), encabeçado por Reino Unido, Itália e Japão, iniciativas que preveem a entrada em serviço de novas plataformas entre 2035 e 2040.

As definições sobre a substituição dos F-16 ocorrem em um contexto mais amplo de relações estratégicas e econômicas, no qual os Estados Unidos assinalaram que se consideram o “melhor parceiro” de Portugal, embora busquem manter possíveis adversários “à distância”. Portugal aderiu em 2018 à Iniciativa do Cinturão e Rota da China, enquanto empresas chinesas mantêm participações relevantes em setores estratégicos do país, situação que também faz parte do cenário geopolítico no qual se insere o debate sobre a futura aviação de combate portuguesa.

*Imagens a título ilustrativo.

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