As Forças Armadas dos Estados Unidos iniciarão apoio direto ao Projeto Freedom, iniciativa de Washington para restabelecer a navegação comercial no Estreito de Ormuz. A missão, descrita pelo presidente Donald Trump como defensiva, será conduzida na área de responsabilidade do Comando Central dos EUA, o CENTCOM, em meio às consequências operacionais da operação Epic Fury e ao bloqueio naval contra portos iranianos.

O Exército dos EUA tem utilizado seus helicópteros de ataque Apache para missões de vigilância no Estreito de Ormuz e nas águas adjacentes.
O Exército dos EUA tem utilizado seus helicópteros de ataque Apache para missões de vigilância no Estreito de Ormuz e nas águas adjacentes. Foto: CENTCOM

O Estreito de Ormuz permanece como um dos pontos marítimos mais sensíveis do sistema energético global. Segundo o CENTCOM, o Projeto Freedom dará suporte a navios mercantes que buscam transitar por esse corredor internacional, pelo qual passa cerca de um quarto do comércio mundial de petróleo transportado por mar, além de volumes relevantes de combustíveis e fertilizantes.

Trump afirmou que a iniciativa busca facilitar a navegação de embarcações de bandeira neutra afetadas pelas ações recentes na região. O presidente norte-americano classificou a operação como um gesto humanitário, alegando que alguns navios enfrentam dificuldades para manter suas tripulações em condições adequadas, incluindo restrições no abastecimento de alimentos. Ao mesmo tempo, advertiu que qualquer interferência ao processo será respondida com firmeza.

O USS Rafael Peralt DDG-115 é um dos contratorpedeiros da Marinha dos EUA destacados na área do Comando Central.
O USS Rafael Peralt DDG-115 é um dos contratorpedeiros da Marinha dos EUA destacados na área do Comando Central. Foto: CENTCOM

O apoio militar norte-americano envolverá contratorpedeiros de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves baseadas em terra e no mar, plataformas não tripuladas multidomínio e cerca de 15.000 militares. O CENTCOM também destacou o emprego de meios tripulados e não tripulados voltados à detecção de minas, uma das principais ameaças à navegação comercial em águas restritas como as do Estreito de Ormuz.

A Marinha dos EUA mantém há semanas uma presença significativa entre o Estreito de Ormuz, o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Ao menos uma dezena de contratorpedeiros da classe Arleigh Burke opera na região, em apoio ao bloqueio marítimo imposto por Washington. A esse dispositivo somam-se os porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS George H.W. Bush, o grupo anfíbio do USS Tripoli e meios aéreos destacados a partir de bases terrestres.

O Exército e a Força Aérea dos Estados Unidos também continuam empregados em tarefas de vigilância, controle e apoio às operações navais. Aeronaves de asa fixa e rotativa vêm sendo utilizadas para ampliar a consciência situacional, acompanhar o tráfego marítimo e sustentar a imposição do bloqueio.

Um MH-60R Sea Hawk equipado com mísseis AGM-114 Hellfire se prepara para pousar no convés de voo do contratorpedeiro USS Thomas Hudner, há alguns dias. Foto: Marinha dos EUA
Um MH-60R Sea Hawk equipado com mísseis AGM-114 Hellfire se prepara para pousar no convés de voo do contratorpedeiro USS Thomas Hudner, há alguns dias. Foto: U.S NAvy.

O almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM, afirmou que o apoio à missão defensiva é essencial para a segurança regional e para a economia global, ao mesmo tempo em que os EUA mantêm o bloqueio naval. A iniciativa também se conecta à chamada Estrutura de Liberdade Marítima, concebida para combinar ação diplomática e coordenação militar em torno da segurança da navegação.

Com o Projeto Freedom, Washington busca recuperar controle operacional sobre um corredor estratégico sem suspender a pressão militar sobre o Irã. O resultado dependerá da capacidade norte-americana de proteger navios mercantes, neutralizar ameaças como minas e drones, e evitar que uma missão apresentada como defensiva se converta em novo foco de escalada no Golfo.

Imagem de capa ilustrativa. Créditos: Marinha dos EUA

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