Em dezembro passado, o navio de guerra mais poderoso da Marinha Uruguaia sofreu um revés durante uma manutenção em dique seco. A embarcação em questão é a ROU 10 HURACÁN, uma lancha de patrulha rápida doada ao Uruguai pela Coreia do Sul em 2024. Este navio, com 37 metros de comprimento e 6,6 metros de largura, está equipado com três canhões: um de 40 mm na proa e dois de 20 mm no convés, além de um sistema Vulcan integrado ao seu moderno sistema de controle de tiro, que aprimora sua capacidade de aquisição de alvos e resposta automática de fogo. É impulsionado por dois motores MTU 538, que lhe permitem atingir velocidades de até 35 nós (60 km/h).

ROU Huracán – Marinha Uruguaia – Zona Militar
ROU Huracán – Marinha Uruguaia – Zona Militar

Essas características fazem dela um recurso fundamental para operações de interdição contra embarcações ilegais na área de segurança marítima, bem como para operações navais. A missão principal do “Huracán” será a vigilância e o controle do espaço marítimo e fluvial uruguaio, com o objetivo de proteger a soberania e os interesses marítimos do país.

O contratempo ocorreu durante sua primeira manutenção em dique seco no Uruguai. Diferenças no procedimento de docagem, em comparação com o utilizado na Coreia devido à maior tecnologia e versatilidade de seus sistemas, fizeram com que o procedimento tivesse que ser adaptado às condições e capacidades oferecidas pelo dique seco da Marinha Uruguaia. Isso contribuiu para o erro do navio, que apoiou seu eixo em um dos quatro berços (algo que não pode acontecer), o que levou ao aborto imediato da manobra para evitar ou minimizar a potencial deformação dos eixos. Enquanto o navio permanecia no porto aguardando a entrada em dique seco para avaliação de danos e manutenção, o vazamento para a imprensa da notícia da manobra malsucedida acionou todos os alarmes, e desde então todo tipo de conjectura tem sido feita sobre a magnitude dos possíveis danos.

ROU Huracán – Marinha Uruguaia – Zona Militar
ROU Huracán – Marinha Uruguaia – Zona Militar

Durante o mês de março, o ROU HURACÁN retornou à doca seca, desta vez compartilhando espaço com o lendário navio-escola Capitán Miranda (preparando-se para sua próxima viagem). Uma vez corrigidas as posições do berço, tudo prosseguiu conforme o planejado. A prioridade, neste caso, era avaliar possíveis danos. Informações obtidas pela Zona Militar indicam que, após a inspeção dos eixos, lemes e hélices, não foram encontrados danos causados ​​pela tentativa frustrada de encalhe, e que o trabalho a ser realizado está dentro do escopo previsto e planejado para este tipo de manutenção.

Vale ressaltar que este assunto também recebeu atenção incomum, claramente acentuada pelo debate político e confronto no Uruguai entre a Frente Ampla, partido governista, e a oposição, em consequência da construção fracassada dos navios de patrulha oceânica e da decisão do governo atual de rescindir o contrato com o estaleiro espanhol Cardama. A construção e o contrato haviam sido promovidos pelo governo do presidente Lacalle Pou. Questões navais no Uruguai, especialmente aquelas relacionadas a problemas com navios-patrulha, em uma força naval que reiteradamente exige sua modernização urgente de sucessivos governos, tornam qualquer notícia relacionada altamente sensível e politicamente volátil.

Você também pode se interessar por: Fragata Tamandaré chega ao Rio de Janeiro e inicia fase final antes da incorporação à Marinha do Brasil

Publicidad

DEJA UNA RESPUESTA

Por favor deje su comentario
Ingrese su nombre aquí

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.