Como parte da substituição de seus An-32 e Il-76 da era soviética, a Força Aérea da Índia está avaliando suas opções. Atualmente, os principais concorrentes são o C-390 Millennium e o C-130J Super Hercules. O vencedor da licitação deverá equipar a Força Aérea com 60 novas aeronaves de transporte por meio do programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA). Essa iniciativa visa modernizar parte da frota de transporte tático do país e substituir aeronaves da era soviética que estão em serviço há décadas.

O programa recebeu recentemente a aprovação do Conselho de Aquisições de Defesa (DPB), presidido pelo Secretário de Defesa da Índia, R. K. Singh. O DPB analisa projetos de aquisição militar antes de submetê-los ao Conselho de Aquisições de Defesa (DAC) para Aceitação da Necessidade (AoN), etapa anterior ao processo de licitação, testes, negociações e eventual adjudicação do contrato.

Embraer C-390
Embraer C-390

A iniciativa envolve um investimento estimado em quase 100 bilhões de rupias e será desenvolvida sob o regime de “Comprar e Fabricar”. Segundo fontes do setor de defesa, 12 aeronaves serão adquiridas diretamente do fabricante para entrega imediata, enquanto as 48 restantes serão produzidas na Índia em parceria com a indústria local, em consonância com as políticas governamentais de fortalecimento da base industrial nacional.

As novas aeronaves de transporte substituirão principalmente a frota de Antonov An-32, adquirida em meados da década de 1980 e atualmente afetada por crescentes necessidades de manutenção e pela escassez de peças de reposição. Ao mesmo tempo, as novas aeronaves assumirão algumas das funções atualmente desempenhadas pelo Ilyushin Il-76, um modelo de maior capacidade, porém com altos custos operacionais e de manutenção, o que levou a Força Aérea Indiana a avaliar alternativas mais eficientes.

Entre os requisitos estabelecidos pela Força Aérea da Índia está a capacidade de operar em ambientes de alta altitude e em pistas curtas ou semi-preparadas, incluindo bases operacionais avançadas em regiões como Ladakh e o nordeste do país. Essas capacidades operacionais são consideradas essenciais para sustentar os destacamentos militares em áreas montanhosas e de fronteira, onde o transporte aéreo desempenha um papel central na movimentação de tropas e equipamentos.

C-130J – Força Aérea da Índia
C-130J – Força Aérea da Índia

Nesse contexto, a competição reúne três propostas principais de fabricantes internacionais. A empresa brasileira Embraer apresentou o C-390 Millennium, um jato de transporte com capacidade de carga útil de aproximadamente 26 toneladas, enquanto a empresa americana Lockheed Martin ofereceu o C-130J Super Hercules, um modelo já utilizado pela Força Aérea Indiana e com capacidade em torno de 20 toneladas. Por sua vez, a Airbus também propôs o A400M Atlas, uma aeronave maior com capacidade de carga útil superior a 30 toneladas, posicionando-se acima da faixa principal de requisitos estabelecida pela Força Aérea Indiana.

As alianças industriais também são parte central das propostas apresentadas. A Embraer participa da licitação em parceria com a Mahindra Defence, enquanto a Lockheed Martin mantém uma relação industrial consolidada com a Tata Advanced Systems Limited, com quem realiza atividades de produção na Índia. Essas parcerias estão alinhadas ao objetivo do governo de fortalecer a produção local e expandir a transferência de tecnologia no setor aeroespacial.

Enquanto isso, como relatamos em outubro de 2025, o governo brasileiro e a Embraer estão redobrando seus esforços para posicionar o C-390 como a melhor alternativa, visto que a empresa brasileira já havia anunciado a criação de uma subsidiária integral em AeroCity, Nova Delhi.

Aeronave a ser substituída: Il-76 – Força Aérea da Índia
Aeronave a ser substituída: Il-76 – Força Aérea da Índia

Segundo fontes da defesa, a escolha final não dependerá apenas das especificações técnicas da aeronave. “A decisão será guiada tanto por fatores industriais quanto pelas capacidades operacionais”, explicou uma fonte, acrescentando que “a transferência de tecnologia, a produção nacional e a manutenção serão fatores-chave. Não se trata apenas da aeronave, mas de todo o ecossistema que a suporta.”

O programa MTA tem um histórico de tentativas anteriores que não avançaram, incluindo um projeto de desenvolvimento conjunto com a Rússia que acabou sendo cancelado. Com a recente aprovação do DPB (Conselho de Licitações de Defesa), o processo ganhou novo impulso e poderá avançar para a fase de licitação após vários anos de atrasos, em um contexto no qual a modernização da frota de transporte se tornou uma prioridade para a Força Aérea Indiana.

*Imagens meramente ilustrativas.

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