Em meio à escalada do conflito entre os EUA, Israel e Irã, que se transformou em uma guerra regional no Oriente Médio, a República Francesa confirmou o envio do porta-aviões nuclear Charles de Gaulle da Marinha Francesa para o Mediterrâneo Oriental. A decisão foi anunciada pelo presidente Emmanuel Macron, que afirmou que o navio, juntamente com seus recursos aéreos e fragatas de escolta, recebeu ordens para seguir para a região como parte de uma escalada militar que já está impactando a segurança e o comércio internacionais.

Porta-aviões Charles de Gaulle – Marinha Francesa
Porta-aviões Charles de Gaulle – Marinha Francesa

O presidente francês dirigiu-se à nação na terça-feira, 3 de março, às 20h, para discutir a situação no Irã e no Oriente Médio. Em sua mensagem, afirmou que “a República Islâmica do Irã é a principal responsável por esta situação”, apontando também para o desenvolvimento de um programa nuclear considerado perigoso, capacidades sem precedentes de mísseis balísticos e ameaças à segurança internacional, particularmente a Israel.

Macron declarou que os EUA e Israel lançaram operações militares contra o Irã fora dos limites do direito internacional, algo que a França “não pode tolerar”, embora tenha enfatizado que a crise se desenrola em um contexto de negociações diplomáticas paralisadas. Ele também expressou preocupação com a possibilidade de ataques continuarem nos próximos dias com o objetivo de enfraquecer a capacidade de resposta do Irã, enquanto ataques retaliatórios de Teerã são esperados em várias partes da região.

Nesse contexto, o presidente indicou que sua responsabilidade é proteger o território nacional, garantir a segurança dos cidadãos franceses e defender o interesse nacional. Ele confirmou que a segurança foi reforçada nas bases militares francesas na região, duas das quais foram atingidas por ataques de pequena escala que causaram danos materiais, e que as medidas de segurança foram intensificadas em embaixadas e instalações estratégicas.

Ele também informou que aproximadamente 400 mil cidadãos franceses estão na região, seja como residentes ou em trânsito, e que seu repatriamento está sendo organizado em coordenação com as autoridades locais. “Estamos organizando o retorno de nossos compatriotas que desejam voltar de forma ordenada, começando pelos mais vulneráveis”, afirmou, acrescentando que os dois primeiros voos chegariam a Paris naquela mesma noite.

Porta-aviões Charles de Gaulle – Marinha Francesa
Porta-aviões Charles de Gaulle – Marinha Francesa

A França também ativou compromissos de defesa com países como Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, além de manter a coordenação com a Jordânia e o Iraque. Detalhou que as forças francesas abateram drones em legítima defesa para proteger o espaço aéreo de aliados regionais e mobilizaram caças Rafale, sistemas de defesa aérea e radares aerotransportados nas últimas horas.

Paralelamente, o presidente confirmou o envio de recursos adicionais de defesa aérea e da fragata Languedoc para as proximidades de Chipre, em resposta aos recentes ataques que afetaram esse Estado-membro da União Europeia. Ele também alertou sobre o impacto econômico da guerra, observando que o Estreito de Ormuz está efetivamente fechado, o que compromete aproximadamente 20% do tráfego mundial de petróleo e gás natural liquefeito, além das tensões no Canal de Suez e no Mar Vermelho.

Situação atual do porta-aviões

A ordem para o porta-aviões Charles de Gaulle seguir para o Mediterrâneo surge após o navio ter se envolvido em um incidente no Mar Báltico durante uma escala no porto de Malmö, na Suécia. Segundo a emissora pública sueca SVT, um drone, supostamente ligado à Rússia, foi detectado monitorando a presença do navio após ter sido lançado de uma embarcação militar russa perto do Estreito de Öresund. As Forças Armadas Suecas informaram que ativaram contramedidas para bloquear o drone e que o contato foi posteriormente perdido, sem especificar sua origem exata ou destino final.

Após esse incidente no Báltico, o conflito no Oriente Médio eclodiu, e a questão era: o que a França faria? Cabe ressaltar que o destacamento do Lafayette 26 tinha como objetivo operar no Atlântico Norte e no Mar Báltico, incluindo uma posterior travessia para o Mediterrâneo. Em outras palavras, a presença do porta-aviões Charles de Gaulle no Mediterrâneo fazia parte da rota planejada e não era necessariamente uma resposta imediata a uma situação específica, embora agora o destacamento do porta-aviões na região esteja confirmado.

Porta-aviões Charles de Gaulle – Marinha Francesa
Porta-aviões Charles de Gaulle – Marinha Francesa

Aumento das Capacidades Nucleares

Por fim, vale ressaltar que, simultaneamente aos ataques no Oriente Médio, Emmanuel Macron anunciou que a França aumentaria suas capacidades nucleares, elevando o número de ogivas nucleares. Ele também indicou que a França não divulgaria mais as quantidades exatas que possui.

Essa situação demonstra que a tensão na Europa vem aumentando ao longo do tempo após a intervenção da Rússia na Ucrânia, e agora, com o conflito no Oriente Médio, muito mais sensível devido ao seu impacto no comércio global e nas indústrias de diversos países, essa tendência de rearme se intensifica.

*Imagem da capa obtida do Grupo de Ataque de Porta-Aviões Francês

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