Após concluir um importante desdobramento de oito meses rumo ao Indo-Pacífico em 2025, o porta-aviões HMS Prince of Wales, da Marinha Real Britânica (Royal Navy), agora liderará a chamada Operação Firecrest, que busca consolidar a presença do Reino Unido no Atlântico Norte e no Ártico diante do que é considerado uma crescente ameaça russa na região. Segundo comunicado oficial, o Grupo de Ataque contará com caças F-35 de quinta geração operados pela Real Força Aérea (RAF), helicópteros e navios de guerra que, em conjunto, pretendem enviar uma mensagem de dissuasão a Moscou e garantir a proteção de infraestruturas submarinas vitais.

Referindo-se a esse novo desdobramento, o secretário de Defesa John Healey declarou: “Estou orgulhoso de que estejamos intensificando a liderança do Reino Unido em matéria de segurança no Alto Norte e no Atlântico. Este desdobramento ajudará a garantir que a Grã-Bretanha esteja preparada para a guerra, aumentará nossa contribuição para a OTAN e fortalecerá nossas operações com aliados-chave, mantendo o Reino Unido seguro em casa e forte no exterior.”
Buscando fundamentar a importância da Operação Firecrest, Londres destacou que, ao longo dos últimos dois anos, foi registrado um aumento de até 30% na atividade naval russa nas proximidades das águas britânicas, tendência que segue em alta e preocupa as autoridades do país. A questão ganha ainda mais relevância considerando que esse também tem sido um dos argumentos frequentemente mencionados pela administração norte-americana liderada por Donald Trump em suas declarações sobre a Groenlândia, gerando tensões internas na OTAN quanto à necessidade de enfrentar essa problemática.

Nesse sentido, não surpreende que a Royal Navy tenha indicado a realização de atividades nas proximidades da costa leste dos Estados Unidos, em uma tentativa de reforçar o estreito vínculo entre Washington e Londres diante desse cenário. Em detalhes, a instituição afirmou que o próprio HMS Prince of Wales visitará um porto norte-americano ainda não especificado, além de servir como base temporária para que seus caças F-35 operem no Ártico.
Além disso, o Grupo de Ataque será integrado a operações conduzidas no âmbito da missão Arctic Sentry da OTAN, recentemente lançada com o objetivo de fortalecer a presença militar no Atlântico Norte e no Ártico. Também participará de atividades com o Grupo Marítimo Permanente 1 da OTAN, força que em 2026 será liderada pelo destróier britânico HMS Dragon, assim como com elementos da chamada Força Expedicionária Conjunta (JEF), sob comando do Reino Unido e composta por unidades de diversos aliados do norte da Europa.

Por outro lado, vale destacar que a Operação Firecrest deverá envolver “milhares de militares dos três ramos das Forças Armadas” britânicas, demonstrando a capacidade do Reino Unido de realizar desdobramentos em larga escala e a coordenação entre os diferentes comandos. A iniciativa ocorre em um momento em que o Ministério da Defesa anunciou que duplicará sua presença militar no Ártico com o envio de mais tropas para a Noruega, passando dos atuais 1.000 militares destacados no Camp Viking para cerca de 2.000 — sendo uma parte significativa composta por unidades de comando da Royal Navy.
Por fim, ampliando o panorama das atividades militares britânicas na região, cabe mencionar que no próximo mês de março será realizado o exercício “Cold Response” junto a diversos aliados da OTAN, tendo como cenário regiões da Noruega, Finlândia e Suécia, com foco no treinamento de tropas para operações em ambiente montanhoso. Além disso, o Reino Unido conduzirá o exercício “Lion Protector” em setembro, em conjunto com a já mencionada Força Expedicionária Conjunta (JEF), no Alto Norte, com o objetivo de preparar militares para a proteção de infraestruturas críticas diante de possíveis tentativas de sabotagem.
*Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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