O Grupo de Ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln (CVN-72) da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) continua seu desdobramento em águas do Oriente Médio, no contexto das tensões com o Irã e das negociações para limitar seu programa nuclear. Desta vez, foi confirmada a realização de uma das atividades habituais durante a navegação operacional de um Grupo-Tarefa naval, conhecida como PHOTOEX (Photo Exercise), que ganhou relevância especial pela localização e pelo atual contexto regional em que foi conduzida.

USS Abraham Lincoln – Marinha dos EUA – DVIDS

De acordo com as imagens publicadas dias atrás pela Marinha dos EUA, o porta-aviões USS Abraham Lincoln, juntamente com os navios escolta que compõem seu Grupo de Ataque, realizou no Mar Arábico o conhecido PHOTOEX, uma atividade breve na qual as unidades e aeronaves se posicionam em uma formação específica para registrar uma fotografia geral dos meios militares empregados na navegação e nas operações. Embora o objetivo direto dessa atividade seja o registro de imagens oficiais e sua divulgação institucional, em cenários de alta tensão e conflitividade como o Oriente Médio, costuma ser interpretada também como uma mensagem dissuasória, evidenciando o poder e as capacidades militares das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Cabe recordar que a presença do CVN-72 no Oriente Médio não é casual. A chegada do USS Abraham Lincoln à Área de Responsabilidade do Comando Central dos EUA (USCENTCOM) foi confirmada nos últimos dias de janeiro, após o governo norte-americano decidir pelo envio como parte dos esforços para fortalecer a estabilidade e a capacidade de dissuasão na região, tendo o Irã como principal foco. Antes disso, o porta-aviões nuclear operava desde novembro de 2025 na Área de Responsabilidade do Comando Indo-Pacífico dos Estados Unidos (USINDOPACOM), sob a 7ª Frota da Marinha dos EUA.

Esse novo desdobramento em direção ao Oriente Médio, deixando a região do Indo-Pacífico, responde à necessidade de manter a presença e a projeção de poder sustentadas dos Estados Unidos, sendo que o PHOTOEX pode ser interpretado como uma demonstração das capacidades do Grupo de Ataque do porta-aviões. Além disso, nos últimos dias foi registrada intensa atividade de seu Grupo Aéreo Embarcado, composto por caças F-35C Lightning II e aeronaves de guerra eletrônica EA-18G Growler, evidenciando o alto grau de prontidão e preparo do navio e de sua tripulação.

Paralelamente, a presença do navio foi marcada por um episódio de maior gravidade dias atrás, quando um caça furtivo F-35C Lightning II precisou interceptar e abater um veículo aéreo não tripulado iraniano Shahed-139 (segundo fontes iranianas, tratava-se de um Shahed-129). O episódio elevou ainda mais o nível de pressão na região e evidenciou a persistência de ações de assédio por parte de Teerã ou de atores alinhados aos seus interesses.

Diante desse cenário e da falta de avanços nas negociações com o Irã, a Casa Branca confirmou a decisão de enviar o porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford (CVN-78) ao Oriente Médio, com o objetivo de se somar ao desdobramento liderado pelo USS Abraham Lincoln. A decisão foi comunicada após o Ford permanecer desdobrado no Caribe desde novembro de 2025, reforçando operações destinadas a combater atividades de organizações narcotraficantes na região e a exercer pressão sobre Caracas, culminando com a captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.

Espera-se que o USS Gerald R. Ford inicie sua derrota em direção à região no final deste mês, a menos que, como mencionado pelo presidente Trump, o Irã decida aceitar os acordos e condições impostas pelos Estados Unidos para limitar seu programa nuclear, no âmbito de uma série de negociações que estão ocorrendo em Omã e que foram retomadas no último dia 6 de fevereiro.

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