Em uma nova fase dentro do programa de incorporação dos caças Saab F-39E Gripen, a unidade experimental da Força Aérea Brasileira (matrícula FAB 4100) iniciou testes de lançamento com bombas guiadas e de queda livre durante a Operação Thor, realizada na Base Aérea de Natal (Brasil). Este novo capítulo consolida o alistamento dos Gripen em suas capacidades de ataque ar-solo, um passo decisivo após ter sido alcançada a capacidade operacional plena no final de 2025.

Durante a Operação Thor, o Gripen E foi submetido a ensaios intensivos para validar o lançamento seguro de bombas, garantindo desprendimentos estáveis e previsíveis sem comprometer a integridade da aeronave. Nesse sentido, o coronel aviador Alisson Henrique Vieira, coordenador-geral da operação, explicou que o processo de liberação de armamentos é uma das fases mais críticas do voo, já que “podem ocorrer fenômenos aerodinâmicos que geram situações de insegurança ou danos à aeronave; por isso tudo é minuciosamente analisado antes da certificação operacional”.
Os testes foram realizados com a aeronave de matrícula 4100, pertencente ao Gripen Flight Test Center, sediado em Gavião Peixoto (São Paulo), sob o comando do major aviador Thiago Camargo, do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), que se tornou o primeiro piloto brasileiro a lançar bombas a partir de um F-39. Cada lançamento foi monitorado em tempo real para verificar a estabilidade do caça e a precisão do desprendimento em diferentes condições, com apoio de equipes destacadas no polígono de tiro de Maxaranguape, responsáveis pela preparação dos alvos e pelo registro dos impactos para posterior análise.

O encerramento bem-sucedido da Operação Thor, no último dia 6 de fevereiro, foi confirmado pelo chefe de Ensaios em Voo da Saab, Mikael Olsson, que destacou que o Brasil se tornou o primeiro operador a realizar o lançamento de bombas Mk-84 e Lizard 500 guiadas a laser a partir do Gripen. A esse respeito, afirmou que “os dados obtidos reforçam como a aeronave amplia de forma significativa a capacidade da Força Aérea Brasileira”. Essa conquista representa um passo crucial para dar continuidade aos ensaios operacionais do F-39 em missões de ataque ao solo e apoio tático.
A Operação Thor soma-se a uma série de marcos alcançados pelo programa Gripen ao longo de 2025. Em novembro passado, a FAB realizou o primeiro lançamento do míssil ar-ar MBDA Meteor, estabelecendo a plena integração do sistema de armas mais avançado da aviação de combate brasileira. Esse teste confirmou a capacidade do F-39E de detectar e neutralizar ameaças a mais de 150 quilômetros, colocando o Brasil entre as poucas nações que empregam esse armamento de longo alcance. Poucas semanas depois, o caça realizou com êxito seu primeiro exercício de tiro com o canhão Mauser BK-27 de 27 mm na Base Aérea de Santa Cruz, verificando sua precisão e desempenho em cenários de combate simulado.

Da mesma forma, no início de 2025, o Gripen experimental foi submetido a rigorosos testes em condições extremas na Base Aérea de Anápolis, avaliando seu desempenho com cargas externas em altas temperaturas e altitude. Equipado com tanques de combustível e mísseis Diehl IRIS-T e MBDA Meteor, completou 14 missões em condições de 32 °C e 1.100 metros acima do nível do mar, incluindo oito reabastecimentos em solo a quente. Esses testes confirmaram a robustez do sistema de controle de voo e a eficiência do motor sob carga elevada, assegurando sua operatividade nos exigentes ambientes climáticos característicos do território brasileiro.
Outro avanço de destaque foi o primeiro reabastecimento em solo de um Gripen a partir de um KC-390 Millennium, realizado em agosto sob o procedimento FARP (Forward Arming and Refueling Point). A manobra demonstrou a interoperabilidade entre ambas as plataformas, reduzindo tempos de inatividade e ampliando a autonomia de combate do caça. Poucos meses depois, em novembro de 2025, a Saab e a Embraer certificaram oficialmente as capacidades do KC-390 para realizar reabastecimento em voo do Gripen, um feito técnico que consolidou a integração entre ambos os sistemas e marcou um novo nível de alcance operacional para a FAB.

Cabe destacar que cada uma das campanhas de testes anteriores, desde os lançamentos de mísseis e exercícios de tiro com canhão até os ensaios em condições extremas e as certificações de reabastecimento, reforça o compromisso da FAB em continuar avançando no treinamento e no alistamento de seus caças Gripen, futura espinha dorsal de sua aviação de combate nas próximas décadas.
Créditos das imagens: Força Aérea Brasileira.
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