De acordo com um relatório recente do Instituto Naval dos Estados Unidos (USNI), a Marinha do Exército Popular de Libertação (PLAN) da China caminha para consolidar uma força aeronaval que poderá contar com nove porta-aviões em serviço até o ano de 2035. O documento, parte do Relatório de Poder Militar da China 2025, descreve o ambicioso programa de construção naval como o maior esforço de expansão de porta-aviões no Indo-Pacífico desde a Segunda Guerra Mundial, o que reforçaria de maneira significativa a projeção marítima do país asiático.

Fujian aircraft carrier of the People's Liberation Army Navy (PLAN).
Fujian – PLAN – China

Atualmente, a Marinha do Exército Popular de Libertação dispõe de três unidades em serviço: Liaoning (16), Shandong (17) e Fujian (18), este último considerado o navio-capitânia da nova geração chinesa. Segundo o relatório, a intenção do governo chinês é incorporar seis novas plataformas antes de 2035, triplicando sua capacidade de desdobrar grupos de ataque aeronaval. Essa expansão busca sustentar uma presença contínua no Mar do Sul da China e no Pacífico Ocidental, áreas estratégicas onde os Estados Unidos mantêm uma posição dominante.

O relatório do Pentágono destaca que a entrada em serviço do Fujian, em 2025, constituiu um dos marcos mais relevantes do ano para as Forças Armadas chinesas. Com 80.000 toneladas de deslocamento e catapultas eletromagnéticas, o Tipo 003 marca a transição da China para porta-aviões de grande porte, aptos a operar aeronaves de quinta geração J-35 e aviões de alerta aéreo antecipado KJ-600. Essas características o tornam o maior navio construído fora dos Estados Unidos e refletem um salto qualitativo na doutrina naval chinesa.

O documento também faz referência às primeiras manobras realizadas com dois porta-aviões simultaneamente, conduzidas pelos grupos de ataque embarcados do Liaoning e do Shandong no Mar da China Meridional durante 2025, o que evidencia uma fase mais avançada de treinamento conjunto. Além disso, o relatório destaca o avanço dos navios anfíbios Tipo 076 (conhecidos como “porta-drones”), equipados com catapultas eletromagnéticas para operar drones de asa fixa, uma inovação que ampliará as capacidades aeronavais do PLAN para além dos porta-aviões tradicionais.

Fujian aircraft carrier of the People's Liberation Army Navy (PLAN).
Fujian – PLAN – China

Em paralelo a esses avanços, analistas de fontes abertas (OSINT) divulgaram imagens de satélite que mostram progressos na construção do quarto porta-aviões chinês, identificado de forma preliminar como Tipo 004. As imagens, obtidas nos estaleiros de Dalian, evidenciam a montagem das primeiras seções do casco, com estimativas que situam seu deslocamento entre 100.000 e 120.000 toneladas, o que poderia colocá-lo na mesma categoria da classe Gerald R. Ford da Marinha dos Estados Unidos. Diversas fontes especulam que esse novo navio adotará propulsão nuclear, ampliando o alcance operacional do PLAN.

Em conjunto, a expansão da frota de porta-aviões e o fortalecimento das bases navais no Indo-Pacífico, como a instalação de Yuchi, em Qingdao, revelam o objetivo estratégico da China de se tornar uma potência marítima de alcance global. Para os Estados Unidos, esse desenvolvimento representa um desafio direto à sua supremacia naval e gera preocupação entre seus aliados regionais. Caso os planos apontados se concretizem, a China poderá operar, até 2035, uma frota de superfície capaz de rivalizar com a dos Estados Unidos, alterando o equilíbrio estratégico nos oceanos do mundo.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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