Após sua homologação em agosto deste ano, o Exército Brasileiro começou a distribuir o monocular de imagem térmica OLHAR para suas unidades na fronteira norte do Brasil. Este dispositivo, desenvolvido em colaboração com a empresa nacional Opto Space & Defense, atende aos rigorosos requisitos operacionais e técnicos estabelecidos pelo Exército, incluindo 63 especificações técnicas e 22 operacionais.

Sua incorporação faz parte do Projeto Combatente Brasileiro (COBRA), que tem como objetivo modernizar as capacidades do equipamento individual do soldado em operações. O OLHAR utiliza tecnologia de visão térmica, permitindo operar sem depender da luz ambiente, ao contrário dos sistemas convencionais de visão noturna. Este equipamento converte sinais térmicos em imagens por meio de sensores infravermelhos, projetando uma representação visual precisa em uma micropantalla OLED. Isso oferece ao operador a capacidade de identificar alvos militares de acordo com variações de temperatura, o que é fundamental para operações de vigilância e reconhecimento em condições adversas.

O monocular, projetado e fabricado integralmente no Brasil, pesa aproximadamente 800 gramas e tem dimensões de 15,5 cm de comprimento, 7,2 cm de largura e 6,7 cm de altura. Além disso, o equipamento possui duas lentes intercambiáveis de 14 mm e 54 mm, permitindo ao usuário escolher entre uma visão mais ampla ou um foco mais próximo. Sua resistência foi comprovada em condições adversas, como imersão em água e impactos, reforçando sua adequação para operações em terrenos difíceis e missões de resgate em condições de baixa visibilidade.

Durante a fase de testes, o monocular foi utilizado na Operação Taquari II, realizada entre abril e maio de 2024. Nesta operação, o equipamento demonstrou sua utilidade na localização de civis isolados durante as enchentes no Rio Grande do Sul, destacando seu potencial não apenas no campo militar, mas também em missões humanitárias.

A avaliação operacional do monocular OLHAR foi conduzida pelo Centro de Avaliação do Exército (CAEx), no 11º Batalhão de Infantaria de Montanha em São João del Rey, Minas Gerais. Durante os testes, foi simulada uma infiltração em terreno montanhoso por rapel, seguida de um exercício de monitoramento de áreas de interesse. O monocular permitiu que as tropas localizassem atividades inimigas em cenários de alta exigência, e, com o apoio de engenheiros do CAEx, do Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e técnicos da Opto Space & Defense, a durabilidade do equipamento foi testada em condições extremas.

Durante esses testes, o monocular OLHAR também foi avaliado quanto à sua resistência a impactos e à sua capacidade de funcionamento em temperaturas entre 18° e 20° graus Celsius. Essas características o tornam adequado para uma ampla variedade de missões em condições operacionais desafiadoras.

Por fim, vale destacar que o monocular OLHAR foi desenvolvido integralmente no país, o que contribui significativamente para o fortalecimento das capacidades do Exército Brasileiro em matéria de defesa. Esse avanço tecnológico não só aumenta a autonomia do país na produção de equipamentos militares, como também evidencia a colaboração bem-sucedida entre o Exército e a Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS).

*Créditos das imagens: Exército Brasileiro.

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