A Ucrânia divulgou novos detalhes sobre o míssil furtivo S-71K Kovyor, armamento associado ao caça Su-57 das Forças Aeroespaciais Russas. O relatório procura expor não apenas as características técnicas do sistema, mas também a cadeia de suprimentos que permitiria à Rússia manter a produção de armamentos avançados apesar das sanções internacionais.
Segundo a inteligência ucraniana, o S-71K Kovyor foi desenvolvido pela United Aircraft Corporation (UAC) especificamente para emprego a partir do Su-57. A plataforma teria utilizado o míssil pela primeira vez no fim do ano passado, ampliando o conjunto de armamentos de precisão disponíveis para o caça furtivo russo.
O documento afirma que o míssil emprega uma ogiva de fragmentação altamente explosiva OFAB-250-270, de 250 kg, instalada na seção frontal. A estrutura externa seria construída com material de fibra de vidro multicamadas, reforçado para reduzir assinatura e sustentar a integridade do corpo do míssil. Internamente, o armamento utilizaria ligas de alumínio.
O sistema de navegação seria inercial, baseado em sensores simples e alimentado por um conjunto elétrico com componentes de diferentes origens. Kiev afirma ter identificado itens provenientes dos Estados Unidos, China, Suíça, Japão, Alemanha, Taiwan e Irlanda. Para a Ucrânia, esse ponto reforça a necessidade de ampliar controles de exportação e mecanismos de rastreio sobre produtos de uso dual que acabam integrados à indústria militar russa.

O relatório também menciona mais de 100 empresas russas envolvidas na produção do Su-57, aeronave usada como plataforma de lançamento do S-71K Kovyor. De acordo com Kiev, cerca de um terço dessas companhias ainda não estaria submetido a sanções ocidentais. Entre os atores citados aparecem a Saint Petersburg OJSC “Krasnyi Oktyabr”, fabricante de unidades auxiliares de potência, a LLC “Yashz Avia”, fornecedora de pneus para o trem de pouso, e o Instituto de Eletrodinâmica Teórica e Aplicada da Academia de Ciências da Rússia, vinculado ao desenvolvimento de materiais associados às características furtivas da aeronave.
Em sua comunicação, a inteligência militar ucraniana sustentou que o acesso contínuo a tecnologias e componentes estrangeiros permite ao Estado agressor desenvolver novas armas e ampliar seu uso contra a Ucrânia. O órgão afirmou ainda que continuará expondo a base tecnológica do complexo industrial de defesa russo e defendendo maior pressão sancionatória para limitar a capacidade de Moscou de sustentar a guerra.
Na propulsão, o S-71K Kovyor utilizaria um motor turborreator R500, produzido pela “Reynolds LLC”, empresa vinculada pela Ucrânia à estrutura da UAC. O míssil também integraria três tanques de combustível, sendo um principal e dois laterais secundários. Com essa configuração, o alcance estimado chegaria a aproximadamente 300 km.
A divulgação reforça a estratégia ucraniana de transformar inteligência técnica em pressão diplomática. Ao associar o S-71K Kovyor a fornecedores, componentes estrangeiros e empresas ainda fora de listas de sanções, Kiev busca reduzir a margem de adaptação da indústria russa e dificultar a produção de armamentos empregados em ataques de precisão contra seu território.
*Imagens utilizadas a título ilustrativo
Você também pode se interessar por: Obuses Oto Melara M56 doados pela Espanha seguem em operação na Guarda Nacional da Ucrânia






