Após vários dias de especulações, e por meio de declarações do presidente Donald Trump, os Estados Unidos estariam em processo de reforçar consideravelmente sua presença militar no Oriente Médio no contexto das tensões com o Irã. Isso se depreende da confirmação do próximo envio à região do Grupo de Ataque do porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford, estendendo assim um desdobramento que já dura mais de 200 dias, o qual o levou de operar no Mediterrâneo a se tornar um dos ativos mais importantes desdobrados no Caribe como parte da Southern Spear, que foi concluída no início do ano com a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Ao longo da última semana, e conforme apontado pelo Escenario Mundial, diversos meios e fontes passaram a especular sobre a decisão da administração Trump de mobilizar um segundo porta-aviões em direção ao Oriente Médio, complementando assim a presença militar norte-americana na região e a pressão contra o regime iraniano.

El portaaviones USS Gerald R. Ford - US Navy
El USS Gerald R. Ford – US Navy

Isso não é um dado menor, já que atualmente se encontra operando na região, junto a uma importante bateria de ativos, o porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln, pertencente à classe Nimitz, junto ao seu Grupo de Ataque composto por escoltas e navios de apoio. Inclusive, em dias recentes, e em um contexto de aumento das tensões com o Irã, um caça F-35C de seu Grupo Aéreo Embarcado derrubou um drone iraniano que se aproximou, segundo anunciado, perigosamente do navio.

Retornando à mobilização do USS Gerald R. Ford em direção ao Oriente Médio, para operar sob a Área de Responsabilidade do Comando Central dos Estados Unidos, isso significará que deixará de fazê-lo sob o Comando Sul dos Estados Unidos, estendendo um desdobramento operacional de mais de duzentos dias sem retornar ao seu porto-base.

Nesse sentido, como mencionado previamente, desde meados do ano passado o porta-aviões nuclear, líder da classe Gerald R. Ford, encontra-se desdobrado em operações de forma contínua. Em meados de 2025 o navio e seus escoltas estavam operando na Europa após zarpar da Estação Naval de Norfolk no final de junho.

El portaaviones USS Gerald R. Ford - U.S. Navy
El USS Gerald R. Ford – US Navy

Posteriormente, e no contexto da pressão exercida por Washington contra Caracas, com o desdobramento de meios, pessoal e ativos de alto perfil no Caribe, este se somou à Operação Southern Spear, a qual teve seu ponto culminante em 3 de janeiro com a captura, nas primeiras horas da madrugada, do presidente Nicolás Maduro, em uma operação militar que demonstrou ao mundo as capacidades das Forças Armadas norte-americanas.

Agora, com as negociações entre Estados Unidos e Venezuela em curso e com as águas mais calmas na região do Caribe, enquanto Washington também exerce pressão contra o regime de Cuba, o USS Gerald R. Ford iniciaria em breve —em uma data ainda a confirmar e com os preparativos em andamento— seu desdobramento em direção ao Oriente Médio.

Além das reações em nível internacional, diversas vozes, incluindo comandantes navais norte-americanos, indicaram que o desdobramento prolongado do porta-aviões nuclear terá impacto tanto em termos do pessoal a bordo quanto no exigente e necessário manutenção em dique seco. Ou seja, em termos concretos, um maior tempo no mar em operações de alta complexidade exigirá, quando entrar efetivamente em manutenção, um período mais prolongado de reparos, avaliações e verificações para seu retorno ao serviço, gerando também ramificações na rotação que a Marinha dos Estados Unidos realiza de seus porta-aviões nucleares.

USS Eisenhower – Armada de EE.UU.

Por exemplo, o último porta-aviões a registrar um desdobramento prolongado dessa magnitude, o USS Eisenhower (CVN 69), teve seu período de manutenção e preparação estendido em mais de um ano e meio na Estação Naval Norfolk. Inclusive, o orçamento do Ano Fiscal 2026 estabelecia que esses trabalhos estavam projetados para finalizar durante o mês de julho passado, tarefas que ainda não foram concluídas.

A situação não é menor, tendo em vista que atualmente a frota de porta-aviões nucleares da Marinha dos Estados Unidos verá sua quantidade e disponibilidade reduzidas. Em detalhe, deve-se mencionar o retorno do USS Nimitz ao território continental para iniciar seu processo de desativação e retirada de serviço, com toda a complexidade que envolve a descarga do combustível nuclear e o desmantelamento de seu reator.

Dos dez porta-aviões restantes —nove da classe Nimitz e o mencionado da classe Ford, único de sua classe até a entrega e entrada em operações do futuro USS John F. Kennedy (que completou suas primeiras provas de mar)—, três encontram-se em serviço (USS Gerald R. Ford, USS George Washington e USS Abraham Lincoln), enquanto dois estão em fase de preparação para um próximo desdobramento (USS George H.W. Bush e USS Theodore Roosevelt); outros dois em condição de pós-desdobramento (USS Carl Vinson e USS Nimitz); e quatro em manutenção programada em diversas instalações: USS Harry S. Truman, USS Dwight D. Eisenhower, USS Ronald Reagan e USS John C. Stennis.

Por fim, e com a confirmação da decisão de seu envio ao Oriente Médio, este não seria imediato. Espera-se que o USS Gerald R. Ford inicie sua derrota em direção à região no final do corrente mês, a menos que, como mencionou o presidente Trump, o Irã decida aceitar os acordos e condições impostos pelos Estados Unidos para limitar seu programa nuclear, no contexto de uma série de negociações que estão ocorrendo em Omã e que foram retomadas em 6 de fevereiro.

Fotografias utilizadas de forma ilustrativa.

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