Durante uma visita oficial ao porto de Plymouth (Reino Unido), o ministro da Defesa do Brasil, José Mucio Monteiro Filho, acompanhou os avanços nos trabalhos de revitalização do futuro navio multipropósito Oiapoque, adquirido pela Marinha do Brasil (MB) em 2025. A incorporação da unidade, anteriormente o HMS Bulwark da Marinha Real Britânica, está prevista para 30 de junho do corrente ano e consolidará a expansão das capacidades anfíbias da MB.
Durante a visita, realizada dias atrás, Mucio Monteiro Filho percorreu diversas áreas do navio e destacou o comprometimento dos efetivos da MB destacados no Reino Unido, que acompanham de perto os trabalhos de modernização. Nesse sentido, afirmou que “o esforço desses militares, longe de suas famílias, reflete o compromisso do país com o fortalecimento de nossa Marinha”. O itinerário da inspeção incluiu a ponte de comando, o centro de operações de combate e o setor do dique inundável de popa, que permite a saída de embarcações de desembarque, uma capacidade essencial para missões anfíbias, logísticas e de apoio humanitário.

O Oiapoque, com 176 metros de comprimento e 18.500 toneladas de deslocamento, possui um projeto que lhe permite transportar blindados anfíbios e veículos de apoio até as zonas de desembarque, além de operar dois helicópteros de grande porte e transportar carga geral, como módulos de hospitais de campanha. Graças ao seu amplo convés de voo e ao dique interno, o navio oferece notável versatilidade para missões de projeção de poder, assistência em desastres naturais e apoio a comunidades costeiras e insulares. Segundo o comandante designado, capitão de fragata Antonio de Barcellos Neto, “sua presença atua como elemento de dissuasão, reforçando a soberania brasileira sobre suas águas jurisdicionais e áreas de interesse estratégico”.
Enquanto prosseguem os trabalhos de revitalização, a formação e certificação da tripulação avançam de forma paralela. No fim de 2025, a Marinha do Brasil deslocou ao Reino Unido uma segunda leva de efetivos, composta por 92 marinheiros, que participam de cursos e treinamentos especializados sob a supervisão da Royal Navy e da empresa Babcock. O adestramento inclui a operação de sistemas elétricos de propulsão, controle de energia de alta tensão e procedimentos avançados de comando e controle, tecnologias pouco comuns na frota brasileira. Essa capacitação garantirá uma transição fluida e segura uma vez que o navio seja incorporado ao serviço ativo.

O Grupo de Recepção do Oiapoque, liderado pelo comandante Barcellos, concluiu em dezembro de 2025 a segunda fase do programa de capacitação com a chegada do denominado Grupo Bravo. Está previsto que, antes de sua incorporação oficial em 30 de junho, uma nova delegação seja enviada a Plymouth para dar continuidade às certificações, enquanto a embarcação realiza suas provas finais de mar e inspeção operacional. Com a conclusão dessa etapa, o navio estará apto a iniciar sua travessia rumo ao Brasil, programada para outubro do mesmo ano.
Cabe lembrar que a aquisição do ex HMS Bulwark foi formalizada durante a feira Defence & Security Equipment International (DSEI), realizada em Londres em setembro de 2025, ampliando a cooperação naval entre os dois países após a bem-sucedida transferência do porta-helicópteros HMS Ocean, atualmente em serviço como NAM Atlântico (A-140). Com sua incorporação, o Oiapoque reafirma a estratégia de modernização da Marinha do Brasil no que se refere à projeção de poder, consolidando um processo de renovação integral de suas unidades navais, complementado pelo programa de fragatas da classe Tamandaré e pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
Talvez te interesse: Operação Orion: fuzileiros navais do Brasil serão destacados para a França para participar de exercícios multinacionais



