Reconhecido por sua versatilidade e desempenho, o A-29 Super Tucano consolidou-se como um dos principais referenciais mundiais na aviação de ataque leve, treinamento e vigilância. Esse êxito reflete a sólida trajetória da Embraer no segmento de defesa, respaldada pela confiança de mais de vinte forças aéreas que atualmente operam o modelo em diferentes regiões do mundo.
O Super Tucano é uma aeronave de asa fixa multifunção, capaz de executar missões de ataque ar-ar e ar-solo, treinamento avançado de pilotos e reconhecimento armado. Seu conceito operacional “3 em 1”, desenvolvido pela Embraer, confere-lhe notável flexibilidade para se adaptar a diversos cenários táticos, ampliando seu campo de atuação para tarefas de patrulhamento, vigilância de fronteiras e escolta aérea.
Com um alcance operacional superior a 4.500 km e capacidade de carga útil de até 1.200 kg, o Super Tucano pode integrar uma ampla gama de equipamentos e armamentos — incluindo pods, bombas convencionais e mísseis ar-ar ou ar-solo — características que o consolidam como uma plataforma robusta, eficiente e adaptável às exigências das forças modernas.

Os A-29 Super Tucano, denominação brasileira, constituem a espinha dorsal das aeronaves de instrução, patrulhamento e capacidade subsônica da Força Aérea nacional, totalizando mais de 90 unidades, recebidas a partir de 2003. Sua operabilidade integra as capacidades de defesa e controle aéreo em missões de vigilância e controle de eventos governamentais, como na Cúpula de Belém em 2025, em conjunto com caças F-5M, aeronaves de alerta antecipado E-99 e helicópteros utilitários H-60L Black Hawk.
Sua expansão regional teve início em 2006, quando a Colômbia se tornou o primeiro operador regional do turboélice modernizado, com o pedido de 25 unidades, entregues à sua Força Aérea em um prazo de dois anos. Ao longo de duas décadas, o Projeto ALX, de origem brasileira, construiu uma reputação de confiabilidade e eficácia que impulsionou sua difusão nos mercados de defesa da América Latina, Europa, África, Oriente Médio e Sudeste Asiático. Chile, Indonésia, Burkina Faso, Mauritânia, Mali, Equador, Estados Unidos, Angola, Líbano e República Dominicana adquiriram suas primeiras unidades durante a década de 2010, enquanto, nos últimos anos, Turcomenistão, Nigéria e Filipinas receberam frotas de cinco a seis aeronaves, por meio de compras diretas com a empresa brasileira e também através do programa Foreign Military Sales (FMS) do governo dos Estados Unidos.

Seu sucesso operacional delineou novas cadeias produtivas fora da região. A empresa norte-americana Sierra Nevada Corporation adquiriu a licença de produção dos EMB-314 brasileiros, exportando-os aos mercados internacionais no âmbito do programa FMS, a partir de sua associação com a Embraer Defense & Security. Recentemente, Portugal assinou uma carta de intenções com a empresa sul-americana visando estabelecer uma linha de montagem final junto à OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, polo industrial-chave para o ecossistema aeronáutico europeu.
O país ibérico destaca o potencial tático do A-29 na defesa europeia e transatlântica. A incorporação dos primeiros cinco exemplares do A-29N não apenas posiciona Portugal como o primeiro operador regional dessa variante, como também amplia o horizonte para novas aquisições no âmbito da OTAN. A versão A-29N atende aos requisitos de padronização da Aliança, permitindo sua operação em missões de patrulhamento aéreo, ISR armado, CAS, treinamento avançado e apoio aéreo aproximado. Em complemento, a nova configuração voltada à interceptação e neutralização de UAS representa um diferencial de vanguarda frente ao desafio global do combate a enxames de drones, constituindo um salto tecnológico relevante diante de ameaças emergentes.

A incorporação de Uruguai, Paraguai, Equador e Panamá à lista de operadores atuais dos Super Tucanos brasileiros reforça sua expressiva expansão regional. Desde 2024, o Equador, com apoio financeiro dos Estados Unidos, busca revitalizar e recuperar sua frota de EMB-314; o Paraguai concretizou a compra de seis A-29, pacotes logísticos, simuladores e treinamento de pilotos com financiamento do BNDES, recebendo as primeiras quatro unidades em julho de 2025. O Uruguai, por sua vez, adquiriu seis aeronaves com o objetivo de recuperar capacidades aéreas perdidas após a retirada dos IA-58 Pucará e dos ainda operacionais A-37 Dragonfly.
O Panamá destacou-se em 2025 com um projeto de aquisição de A-29 para equipar sua frota aérea. A partir de um encontro entre os chefes de Estado de ambos os países, foi apresentado o plano geral para a incorporação de quatro unidades. Outros potenciais usuários da família Super Tucano incluem Honduras e Gana. O A-29 reforça a interoperabilidade regional e eleva o padrão tecnológico das forças aéreas latino-americanas. Seu baixo custo operacional e versatilidade fazem dele um multiplicador de capacidades estratégicas para a região, maximizando a relação custo-benefício.
A notoriedade alcançada pelo Super Tucano também se apoia na trajetória de sucesso do KC-390 Millennium no mercado mundial. Paralelamente, Portugal foi o primeiro país a adquirir o avião utilitário-tanque brasileiro e, a partir desse precedente, diversos Estados avançaram em contratos de aquisição, entre eles Hungria, Países Baixos, Áustria, Suécia, Eslováquia, Lituânia, República Tcheca, Coreia do Sul e Índia.

A Embraer Defense & Security projeta-se, assim, como um ator global de peso no campo da defesa. A continuidade e a retroalimentação positiva entre seus diferentes programas industriais fortalecem sua posição no cenário internacional. A tecnologia brasileira encontra novos espaços de operação, modernizando frotas aéreas ao redor do mundo e fornecendo ferramentas de vanguarda, fruto essencial da Base Industrial de Defesa (BID).
Por Valentina Angaramo Berrone.
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