A Força Aérea da Etiópia confirmou a incorporação de pelo menos seis treinadores avançados e aeronaves de combate leve Yak-130, de fabricação russa, os quais já se encontram em operação. A entrega teria sido realizada recentemente no âmbito de um pacote mais amplo de cooperação militar com a Rússia, que também incluiria a aquisição de caças Sukhoi Su-35, embora este último ponto ainda não tenha sido confirmado oficialmente.

A presença dos Yak-130 tornou-se pública durante o espetáculo aéreo pelo 90.º aniversário da Força Aérea da Etiópia, realizado em 23 de janeiro, quando quatro aeronaves desse modelo participaram da exibição aérea transmitida pela Ethiopian Broadcasting Corporation.

Yak-130 - Fuerza Aérea de Etiopía
Yak-130 – Fuerza Aérea de Etiopía

As aeronaves exibidas ostentavam os números de cauda 2301, 2302, 2303 e 2306, o que sugere que o total de unidades entregues chega a seis. Essa hipótese foi reforçada no dia seguinte, quando um vídeo divulgado pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed mostrou um Yak-130 com o numeral 2305 voando em formação com outras três aeronaves sobre o lago Koka, ao sul da principal base aérea de Bishoftu.

Imagens de satélite do complexo aéreo indicam que os Yak-130 foram entregues no início de janeiro, uma vez que três aeronaves estavam presentes em 9 de janeiro, enquanto nenhuma havia sido registrada em 4 de janeiro, o que aponta para uma chegada escalonada em um curto período de tempo.

Função operacional e vínculo com a frota Sukhoi

O Yak-130 foi projetado principalmente como treinador avançado, e espera-se que na Etiópia seja utilizado para a formação de pilotos destinados a operar caças Sukhoi, em particular aeronaves da família Flanker. No entanto, o modelo também possui capacidades como aeronave de ataque leve, o que amplia sua utilidade operacional.

Yak-130 - Fuerza Aérea de Etiopía
Yak-130 – Fuerza Aérea de Etiopía

Nesse contexto, a Etiópia já havia avançado na modernização de sua frota ao incorporar caças Sukhoi Su-30K de origem russa. Durante o espetáculo aéreo pelo 88.º aniversário da Força Aérea da Etiópia, em janeiro de 2024, o país apresentou duas dessas aeronaves, identificadas pelos numerais 2401 e 2402, que voltaram a participar do evento de 2026.

De acordo com fontes russas, esses Su-30K faziam parte de um lote de aeronaves originalmente fabricadas para a Força Aérea da Índia entre 1997 e 1998, devolvidas à Rússia em 2007 e posteriormente armazenadas para revenda. Angola adquiriu doze unidades em 2013, enquanto seis foram destinadas à Etiópia, tornando-a o quarto país africano a operar esse modelo, juntamente com Angola, Argélia e Uganda.

Embora se tenha especulado sobre a possível entrega à Etiópia de quatro Su-30K adicionais provenientes do mesmo lote, até o momento não foram registrados indícios de que essa transferência tenha se concretizado, já que as mesmas duas aeronaves exibidas em 2024 foram as únicas observadas no evento de 2026.

Yak-130 - Fuerza Aérea de Etiopía
Yak-130 – Fuerza Aérea de Etiopía

Modernização aérea e projeção futura

A incorporação dos Yak-130 insere-se em um processo contínuo de modernização da Força Aérea da Etiópia, que também incluiu a aquisição de drones Bayraktar Akinci, de fabricação turca. Esses sistemas não tripulados, do tipo HALE, possuem capacidade de operar a altitudes de até 11.000 metros e permanecer em voo por 25 horas, além de transportar armamentos guiados e sensores avançados.

Visando o futuro, o governo etíope anunciou planos para transitar para capacidades de combate de quinta geração. Durante as celebrações do 90.º aniversário da Força Aérea, o primeiro-ministro Abiy Ahmed afirmou que o país busca dobrar sua frota de aeronaves de combate e alcançar capacidades de quinta geração antes de 2030. Embora a Etiópia atualmente não opere caças furtivos desse tipo, analistas do setor indicam que plataformas russas como o Sukhoi Su-57 ou o Su-75 Checkmate poderiam ser consideradas para atingir esses objetivos.

Nesse cenário, a entrega e entrada em serviço dos Yak-130 representam um passo intermediário fundamental na formação de pilotos e na consolidação de uma força aérea com maiores capacidades técnicas e operacionais.

*Créditos das imagens aos respectivos autores.

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