O Departamento de Defesa dos EUA iniciou a transferência de um grupo de ataque de porta-aviões do Mar da China Meridional para a área de responsabilidade do Comando Central dos EUA (CENTCOM), que abrange o Oriente Médio e regiões adjacentes. Segundo relatos, o porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln (CVN-72) será a principal embarcação envolvida nessa movimentação.

De acordo com uma fonte, o deslocamento do grupo de ataque — que inclui o porta-aviões, navios de escolta de superfície e pelo menos um submarino de ataque — levará aproximadamente uma semana. A medida ocorre em meio à escalada das tensões entre Washington e o Irã, coincidindo com uma onda de protestos internos naquele país.

USS Abraham Lincoln – Marinha dos EUA – DVIDS

A área de responsabilidade do Comando Central dos EUA abrange mais de 4 milhões de milhas quadradas, incluindo o nordeste da África, o Oriente Médio, a Ásia Central e o sul da Ásia. No total, compreende 21 países, incluindo Egito, Iraque, Afeganistão, Irã e Paquistão.

Nesse contexto, o Irã emitiu um Aviso às Missões Aéreas (NOTAM) restringindo voos de e para Teerã. Ao mesmo tempo, o pessoal dos EUA em uma importante base militar no Catar recebeu recomendações de evacuação, enquanto o Reino Unido desaconselhou todas as viagens não essenciais a Israel.

Reações Diplomáticas

O Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta de segurança para seu pessoal e cidadãos no Catar. Em um comunicado divulgado nas redes sociais, autoridades observaram: “Dadas as tensões regionais, a Embaixada dos EUA em Doha recomendou que seu pessoal exerça extrema cautela e limite viagens não essenciais à Base Aérea de Al Udeid. Recomendamos que os cidadãos dos EUA no Catar façam o mesmo. A Missão dos EUA no Catar continua monitorando a situação.”

Entretanto, o presidente Donald Trump afirmou que Teerã havia reduzido a intensidade da repressão aos manifestantes em uma tentativa de negociar com Washington. Contudo, a televisão estatal iraniana transmitiu uma mensagem que foi interpretada como um aviso direto ao presidente americano.

FA-18 Super Hornet despegando de portaaviones USS Abraham Lincoln
F/A-18 Super Hornet a bordo do USS Abraham Lincoln – Marinha dos EUA – DVIDS

Na frente política, o senador republicano Lindsey Graham se reuniu com Reza Pahlavi, o príncipe herdeiro iraniano exilado. Em um vídeo publicado na plataforma de mídia social X, Graham afirmou: “Acredito de todo o coração que a ajuda está a caminho”. Questionado pela Reuters sobre Pahlavi, Trump declarou: “Ele parece muito simpático, mas não sei como ele lidaria com a situação em seu próprio país. E ainda não chegamos a esse ponto”.

Da Ásia-Pacífico ao Oriente Médio

Antes de seu reposicionamento, o USS Abraham Lincoln operava na área de responsabilidade da 7ª Frota da Marinha dos EUA, participando de exercícios navais no Mar da China Meridional e no Indo-Pacífico. Durante esses exercícios, os caças F/A-18E/F Super Hornet baseados no porta-aviões realizaram operações aéreas de rotina para manter a prontidão operacional da ala aérea.

Essas atividades incluíram exercícios de defesa naval, com treinamento de tiro real do Sistema de Armas de Defesa de Ponto (CIWS). De acordo com material oficial da Marinha dos EUA: “O USS Abraham Lincoln dispara um sistema de armas de defesa aproximada (CIWS) durante exercícios de tiro real no convés de voo do navio da Marinha dos EUA, enquanto navega com a Sétima Frota dos EUA.”

Contexto Internacional Mais Amplo

O destacamento do grupo de ataque dos EUA ocorre enquanto a China, a Rússia e o Irã, juntamente com a África do Sul e os Emirados Árabes Unidos, realizam o exercício naval Vontade de Paz 2026 em águas africanas, no formato BRICS Plus. As manobras incluem operações de resgate, simulações de ataques marítimos e intercâmbios técnicos, e estão sendo realizadas em Simon’s Town, uma localização estratégica entre os oceanos Índico e Atlântico.

Will for Peace 2026

A China participa com unidades da 48ª Força-Tarefa de Escolta Naval, incluindo o destróier CNS Tangshan (122) e o navio de apoio logístico CNS Taihu (889), além de um helicóptero embarcado e pessoal de operações especiais. A Rússia contribui com a corveta RFS Stoikiy (545) e o navio de apoio logístico Yelnya, ambos da Frota do Báltico.

Da África do Sul, o Comandante Nndwakhulu Thomas Thamaha afirmou que o exercício é “mais do que um exercício militar” e visa fortalecer a cooperação em segurança marítima.

Nesse contexto, o reposicionamento do USS Abraham Lincoln reforça a presença naval dos EUA no Oriente Médio, em meio a tensões regionais, manobras diplomáticas e exercícios militares simultâneos de potências globais em diversos teatros estratégicos.

*Imagens meramente ilustrativas.

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