No que seria um novo passo no aprofundamento dos vínculos na área de defesa após a assinatura de um pacto de defesa mútua, e também uma forma de reduzir sua dívida externa, o Paquistão teria proposto a venda de caças JF-17 Thunder à Força Aérea da Arábia Saudita por um valor de bilhões de dólares, que compensaria diferentes investimentos de Riad no país. A notícia foi divulgada pela agência Reuters, a qual afirmou que os governos de ambos os países já estariam em conversas para explorar essa possibilidade, aproveitando o vínculo existente em um momento de dificuldades financeiras para o primeiro e de necessidade de reconfigurar suas alianças para o segundo.

Aprofundando os detalhes, o meio citado consultou diferentes fontes que coincidem na noção de que Islamabad buscaria trocar dívida por novos caças JF-17, embora não esteja claro qual seria o valor final do acordo caso ele se concretize. Uma primeira resposta apresentada por fontes militares apontou para um acordo de US$ 4 bilhões, com outros US$ 2 bilhões a serem investidos na aquisição de armamentos e outros equipamentos, o que sem dúvida permitiria reduzir a pressão sobre os cofres paquistaneses; nada menos que para quitar a dívida atual de US$ 6 bilhões que mantém com a Arábia Saudita desde 2018.
Os rumores nesse sentido não fazem mais do que crescer ao se considerarem também as declarações de Aamir Masood, marechal do ar da reserva, que revelou que o Paquistão já manteve conversas com até seis países para inserir a aeronave de projeto sino-paquistanês em suas respectivas Forças Aéreas, incluindo nesse grupo a própria Arábia Saudita. Ele destacou, além disso, que a aeronave conseguiu se sobressair durante essas conversas por se tratar de um projeto já testado em combate e que apresenta boa relação custo-benefício em termos operacionais.

Esse último aspecto não é um fator menor, especialmente considerando que Riad conta com a oferta, por parte dos Estados Unidos, de incorporar caças furtivos F-35 fabricados pela Lockheed Martin para reforçar sua frota de combate. Trata-se de aeronaves com capacidades superiores, mas também significativamente mais caras de adquirir (com preços em torno de US$ 100 milhões por unidade) e de manter ao longo do tempo. Na ausência de confirmação sobre qual caminho a Força Aérea saudita decidirá seguir, cabe lembrar também que os projetos ocidentais predominam atualmente na instituição, cujo inventário conta com modelos F-15SA e F-15E, Eurofighter Typhoon e Tornado IDS; sendo estes últimos os que se buscaria substituir para manter um leque de alternativas modernas e altamente capazes.
Por fim, cabe ressaltar que essa potencial venda de caças não seria a única recente para os JF-17 impulsionada pelo Paquistão, sendo o caso mais recente aquele que teria se concretizado com o Exército Nacional da Líbia em troca de cerca de US$ 4 bilhões; isso apesar das sanções impostas pelas Nações Unidas que deveriam impedir qualquer venda de armas ao país. Somado a isso, o projeto estaria buscando conquistar um espaço no processo de renovação em andamento na Força Aérea de Bangladesh, o que, caso se traduza em valores semelhantes, permitiria a Islamabad avançar também no pagamento de dívidas ao Fundo Monetário Internacional, ao qual deve cerca de US$ 7 bilhões no âmbito de seu 14º programa.
*Imagens utilizadas a título ilustrativo
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