Em uma reviravolta inesperada, o governo da Índia estaria reconsiderando a aquisição de caças furtivos Sukhoi Su-57 após uma nova proposta apresentada pela Rússia. A nova oferta chegaria em um contexto no qual Nova Délhi está reavaliando as capacidades e necessidades da Força Aérea da Índia após a Operação Sindoor, e depois de ter se retirado em 2018 do programa de aviões de combate de quinta geração que havia impulsionado junto a Moscou.

No ano de 2007, Nova Délhi e Moscou começaram a avaliar possibilidades de associação para o desenvolvimento de um caça de quinta geração, tendo como marco acordos preliminares pelos quais a empresa local Hindustan Aeronautics (HAL) se associaria ao Sukhoi Design Bureau (Sukhoi), hoje parte da United Aircraft Corporation (UAC), no programa. Após várias análises, o governo indiano, sob recomendação da Força Aérea, tomou a decisão de abandonar o projeto em 2018 por diversos fatores, entre os quais foram apontados altos custos, problemas de desempenho da futura aeronave, capacidades de furtividade, falta de transferência de tecnologia e dúvidas sobre o quanto a Rússia estava comprometida com o desenvolvimento conjunto da aeronave com um parceiro estrangeiro.

Posteriormente, em 2023, a Rússia voltou à carga apresentando à Índia a versão de exportação do caça Su-57, denominada “Su-57E“, que já teria um primeiro cliente internacional não oficialmente revelado; presumindo-se que se trataria da Argélia. Embora nem o país africano nem Moscou tenham emitido um anúncio oficial que confirme a concretização da operação, autoridades russas insinuaram há vários meses que esse novo operador poderia receber a primeira aeronave de quinta geração durante o ano corrente.

Operação Sindoor 2025: mudança de planos para a Força Aérea?

Em paralelo, análises sugerem que a Operação Sindoor 2025 expôs as limitações da Força Aérea da Índia (IAF) para realizar ataques a longas distâncias e, inclusive, a falta de aeronaves especializadas para operar em ambientes operacionais contestados. Também foi apontado que, dada a escassa profundidade estratégica do Paquistão, o país pode cobrir seu espaço aéreo com um amplo leque de plataformas de vigilância, defesa aérea baseada em terra, assim como aeronaves de alerta antecipado e de combate, muitos fornecidos pela China com novos mísseis ar-ar como o PL-15E, aumentando a dificuldade de operação por parte da aviação da Força Aérea da Índia.

O exposto estaria levando a IAF a reconsiderar a incorporação de aeronaves furtivas estrangeiras, como é o caso do Su-57, não tanto por suas características furtivas de quinta geração, mas por sua capacidade de responder às necessidades operacionais imediatas. Além disso, menciona-se que a plataforma possui capacidade de empregar armamento de longo alcance, tanto ar-ar quanto ar-superfície. Fontes destacam que algumas das características mais atraentes do avião furtivo russo são sua capacidade de utilizar mísseis ar-ar R-37M com mais de 300 quilômetros de alcance, bem como a possibilidade futura de portar armamento hipersônico, segundo anunciado por autoridades russas.

Nesse marco, levando em conta o contexto regional, as limitações dos aviões de combate atualmente em serviço e a necessidade de incorporar uma aeronave de última geração, a Índia começou a questionar a carência de capacidades de ataque de longo alcance de sua atual aviação de combate, baseada nos modernos Rafale e Su-30MKI, mas também apoiada nos mais antigos SEPECAT Jaguar.

Su-57 e uma solução temporária

Até agora, as informações provenientes de fontes locais ressaltam que as gestões e avaliações em curso teriam um caráter transitório, servindo como “stop gap”, até a entrada em serviço, durante a próxima década, do caça furtivo de desenvolvimento local surgido do Programa Advanced Medium Combat Aircraft (AMCA, em inglês). Paralelamente, a Índia vem impulsionando uma série de associações com empresas de terceiros países para avançar no desenvolvimento de diversos aspectos do futuro avião de combate de sexta geração.

É relevante mencionar que, caso a proposta seja aprovada, a empresa estatal Hindustan Aeronautics Limited (HAL) se associaria à United Aircraft Corporation (UAC) para fabricar o Su-57E em território indiano. Por fim, as fontes ressaltam que esses planos ainda se encontram em etapas preliminares e de análise de viabilidade, não interferindo no programa MRFA destinado à aquisição de até 114 novos caças Rafale da França.

Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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